Justiça Eleitoral determina investigação contra Ana Elisa após denúncia de Flávio Bolsonaro
Deputada federal eleita pelo PT é suspeita de divulgar informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida; juiz negou pedido para restringir novas publicações
Foto: Redes Sociais
A Justiça Eleitoral determinou que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para investigar a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, por suspeita de divulgação de informações falsas durante a campanha eleitoral de 2026. A decisão foi publicada na quarta-feira (14), após uma notícia-crime apresentada pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que questionou publicações da parlamentar sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O caso foi analisado pelo juiz eleitoral Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis, em Minas Gerais. Além de determinar a abertura da investigação, o magistrado ordenou que a plataforma X preserve os registros digitais das publicações questionadas, feitas entre 24 de setembro e 8 de outubro. O juiz, no entanto, rejeitou o pedido da defesa de Flávio para impedir que Ana Elisa realizasse novas publicações políticas sobre a eleição presidencial.
A denúncia menciona uma publicação de 24 de setembro na qual a deputada afirmou que apoiadores de Flávio Bolsonaro tentavam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A postagem também questionava quem queria fechar igrejas e criticava o grupo político do candidato. Segundo a representação, o conteúdo alcançou mais de 20,8 mil visualizações e foi compartilhado mais de 600 vezes.
A campanha de Flávio sustenta que as declarações não tinham fundamento e cita decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas ao tema. De acordo com a denúncia, Ana Elisa voltou a abordar o assunto nas redes sociais no dia seguinte, mesmo após decisões que, segundo os representantes do candidato, contrariavam a alegação divulgada.
Após a decisão, Ana Elisa se manifestou no Instagram e questionou a iniciativa da campanha adversária. Na publicação, a parlamentar destacou a própria idade, a votação recebida nas urnas e o alcance de suas redes sociais.
“Eu sou uma ‘menina’ de 21 anos do interior de Minas Gerais. Recebi 524 mil votos e tenho 4 milhões de seguidores. Mas eu pergunto: por que um candidato à Presidência da República tem tanto medo do que eu tenho a dizer?”, escreveu.
O Ministério Público Eleitoral considerou que existem elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação e solicitou a instauração do inquérito, além da preservação dos registros digitais. O órgão, porém, avaliou que a proibição de novas publicações seria uma medida genérica, sem delimitação adequada dos conteúdos que poderiam ser impedidos.
A abertura do inquérito não significa que a deputada tenha cometido um crime. A investigação deverá reunir informações e provas para esclarecer os fatos e verificar se houve alguma irregularidade eleitoral.
O caso ocorre em meio a episódios de ataques relatados pela parlamentar nas redes sociais. Em 8 de outubro, Ana Elisa anunciou que havia desativado sua conta no X após receber ameaças de morte e de estupro. Na ocasião, afirmou que as mensagens chegavam com frequência e criticou a violência contra pessoas envolvidas no debate político.
A deputada foi eleita para a Câmara dos Deputados por Minas Gerais nas eleições de 2026 e ganhou projeção durante a campanha nas redes sociais. Com a determinação da Justiça Eleitoral, caberá agora à Polícia Federal apurar as publicações questionadas e reunir elementos para o andamento do caso.
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