Flávio Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha após pedido da Polícia Federal
Nova investigação apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo empresas parceiras; ministro também autorizou inquérito para investigar vazamento de informações sigilosas
Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo empresas parceiras.
De acordo com a PF, o empresário teria utilizado sua condição de filho do presidente da República para favorecer interesses ligados à empresa de tecnologia 3Structure IT. A companhia mantém contratos que somam cerca de R$ 55,7 milhões com o governo federal.
Além da nova investigação, Flávio Dino também autorizou a abertura de um quarto inquérito para apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso. A medida atende a um pedido da própria Polícia Federal e também era defendida pela equipe jurídica de Lulinha.
Este é o terceiro inquérito envolvendo o empresário autorizado pelo STF em menos de uma semana. Os dois primeiros foram autorizados pelo ministro André Mendonça. Um deles investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde, envolvendo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". O outro apura uma suposta atuação para favorecer empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos federais.
As investigações tiveram origem em elementos reunidos durante a Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a Polícia Federal, os inquéritos contra Lulinha não investigam diretamente as fraudes, mas possíveis atuações em favor de empresários e lobistas junto a áreas do governo federal.
A defesa de Lulinha afirmou receber a decisão "com absoluta tranquilidade" e disse confiar na condução do caso pelo ministro Flávio Dino. Os advogados sustentam que o empresário não possui relação com qualquer irregularidade e afirmam que ele prestará todos os esclarecimentos necessários durante a investigação.
Em nota, a defesa também voltou a criticar supostos vazamentos seletivos de informações e alegou que setores da Polícia Federal estariam sendo utilizados com interesses político-eleitorais, embora tenha destacado reconhecer a autonomia e a independência da direção da corporação.
Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que não utilizará o cargo para proteger o filho. Segundo o petista, caso seja necessário, Lulinha deverá prestar esclarecimentos à Justiça como qualquer outro cidadão.
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