Notícias
Exclusivas
Um sonho ameaçado por disputa de poder: Como as seleções do Oriente Médio se preparam para a Copa do Mundo

Um sonho ameaçado por disputa de poder: Como as seleções do Oriente Médio se preparam para a Copa do Mundo

Preparação dos países do Oriente Médio para a Copa do Mundo é diretamente afetada pelos conflitos que atingem a região

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Reprodução

A preparação das seleções do Oriente Médio para a Copa do Mundo de 2026 é marcada por feitos históricos nas fases de qualificação, histórias incríveis envolvendo atletas e seleções, e principalmente de incertezas políticas que afetam o mundo inteiro, mas especialmente a região.

Os conflitos interferem diretamente na preparação das seleções para a Copa, problemas que vão além do campo, como questões de logística. Com os conflitos que assolam a região, o espaço aéreo de alguns países foi fechado, situação que acaba virando uma espécie de efeito dominó, influenciando diretamente em questões de segurança para os atletas e comissões técnicas, prejudicando treinos, e impactando diretamente no planejamento. 

Com o espaço aéreo fechado, as seleções do Oriente Médio encontram maiores dificuldades para realizar partidas amistosas contra times nacionais de outras regiões, e para alguns, estes impactos geram mais problemas: como exemplo, a seleção iraquiana, que por muitos jogos, manda suas partidas fora de território nacional por questões de segurança.

Apesar dos conflitos, histórias incríveis marcaram as qualificações das seleções do Oriente Médio para a Copa, incluindo participações inéditas no torneio mundial; Confira as seleções:

Arábia Saudita
Uma das mais tradicionais representantes da região, a Arábia Saudita, que participa da sua sétima Copa do Mundo, conquistou sua vaga nos playoffs continentais. Apesar dos conflitos que atingem a região, os sauditas conseguem manter um certo nível em sua preparação, graças à estabilidade interna,

A seleção saudita foi sorteada no Grupo H, enfrentando as fortes seleções da Espanha e do Uruguai, além do debutante Cabo Verde. As partidas serão realizadas em Atlanta, Miami e Houston.

Catar
Sede da última Copa do Mundo, a seleção Catari vai para a sua segunda participação no torneio, sendo a primeira vez que se qualifica via eliminatórias. O Catar conquistou sua vaga após uma vitória sobre a seleção dos Emirados Árabes Unidos, após uma vitória por 2x1 em partida válida pela repescagem asiática.

Sorteado no Grupo B, o Catar enfrenta seleções como Suíça e uma das sedes, o Canadá, em jogos realizados no território canadense. O terceiro adversário do grupo sairá da repescagem global para a Copa.

Irã
Um dos principais representantes do futebol asiático no torneio, a seleção iraniana se classificou para a Copa do Mundo de 2026 com tranquilidade, garantindo participação direta. Entretanto, o time nacional iraniano vive um momento de incerteza. Com os conflitos que atingem diretamente o país, o Irã chegou a oficializar sua desistência do torneio, mas voltou atrás e pediu à FIFA para que seus jogos fossem realizados fora de território americano, mais especificamente no México.

O Irã foi sorteado no Grupo G do torneio, enfrentando as seleções da Bélgica, Nova Zelândia e do Egito, em partidas que até então serão realizadas em Los Angeles e Seattle.

Jordânia
A seleção da Jordânia faz parte de um seleto grupo de debutantes, seleções que marcam suas primeiras participações na história da Copa em 2026. A classificação inédita da Jordânia para a Copa do Mundo vai muito além de um feito histórico no âmbito esportivo, é um marco, um momento de esperança para um país que é diretamente atingido por conflitos que historicamente atingem a região do Oriente Médio, graças à sua localização geográfica, visto que o país é cercado por Israel, Iraque, Palestina, Arábia Saudita e Síria.

Classificada diretamente para o torneio, a seleção da Jordânia enfrentará equipes do Grupo J, como Áustria, Argélia e Argentina.

Iraque
O Iraque é um caso a parte sobre as demais seleções do Oriente Maèdio. A seleção iraquiana está na repescagem global para a Copa do Mundo, onde aguarda o vencedor da partida entre Bolívia e Nova Caledônia, o Iraque vive a expectativa de voltar a jogar uma Copa do Mundo depois de 40 anos.

Entretanto, a seleção nacional iraquiana enfrenta sérios problemas envolvendo deslocamento para chegar ao território norte-americano e disputar esta fase do torneio. Por ser mais um dos países do Oriente Médio, o Iraque enfrenta problemas com o espaço aéreo por conta dos conflitos que atingem a região. A federação chegou a formalizar para a FIFA um pedido de adiamento desta fase do torneio para conseguir uma alternativa mais segura.

Em resposta, a FIFA sugeriu que a delegação fizesse uma viagem por mais de 25 horas de estrada até Istambul, capital da Turquia, para conseguir embarcar para o México. A proposta foi rejeitada pela Associação Iraquiana de Futebol, por conta do desgaste, graças ao extenso período da viagem, além da passagem perigosa por um trecho que vinha sendo alvo frequente de ataques.

A guerra não afeta somente a esfera política, interfere diretamente na preparação esportiva, fazendo com que tradicionais seleções tenham seu desempenho afetado por conta desses problemas que interferem na preparação, competindo em desvantagem por fatores que vão muito além do campo.

Riscos de desistências e países ‘proibidos’
O Irã corre o risco de ficar fora da Copa do Mundo em 2026, autoridades já informaram que não há condições da participação no torneio, por conta dos conflitos que envolvem Israel e os Estados Unidos, o que põe em alto risco a integridade física dos atletas e delegações, além de problemas com vistos de entrada nos países-sede do torneio. Resumidamente, a preparação muitas vezes nem chega a acontecer normalmente, por conta da incerteza de participar do torneio. A seleção iraniana pede como alternativa para que seus jogos sejam realizados em solo Mexicano, mas a Federação Internacional de Futebol (FIFA) não sinalizou positivamente.

O Iraque pediu o adiamento da repescagem do torneio. O técnico da seleção  que aguarda o vencedor da partida entre Suriname e Bolívia fez um pedido oficial à FIFA sobre o adiamento da repescagem que está marcada para o final de março. De acordo com o treinador, a guerra que envolve o Irã causa restrições no espaço aéreo local. Como resposta, a FIFA propôs que a seleção viajasse por 25 horas de ônibus até Istambul, capital da Turquia, para conseguir embarcar em um voo internacional até o México, onde ocorre a repescagem. O pedido foi negado pela federação iraquiana, entretanto, a entidade ainda não respondeu.

As demais seleções, como os Emirados Árabes Unidos, seguem atentos à situação do Irã, visando essa nova vaga que pode acabar surgindo no torneio. O Iraque pede a classificação direta à fase de grupos, sendo assim, os EAU seriam os herdeiros da vaga iraquiana na repescagem.

Além dos riscos que alguns países enfrentam com relação à participação, um leque ainda maior de países enfrenta sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos da América. Mais de 40 países têm restrição de entrada contra seus cidadãos em território americano. 

Entre esses países, o Irã enfrenta o nível máximo das restrições, não é permitida a entrada de cidadãos nos Estados Unidos. Essas restrições foram impostas após o presidente Donald Trump assinar um decreto que proíba a entrada dos cidadãos de diversos países, permitindo apenas, em caso de participação na Copa, a entrada de atletas e membros da comissão técnica.

De acordo com a Casa Branca, “As restrições e limitações impostas por esta proclamação são necessárias para: obter a cooperação de governos estrangeiros, inclusive no que diz respeito à redução das taxas de permanência ilegal de seus cidadãos; fazer cumprir nossas leis de imigração; e promover outros objetivos importantes de política externa, segurança nacional e combate ao terrorismo”.

Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.

Tags

Notícias Relacionadas