Notícias
Exclusivas
Pesquisas eleitorais acertam ou erram? Entenda por que os números nem sempre batem com as urnas

Pesquisas eleitorais acertam ou erram? Entenda por que os números nem sempre batem com as urnas

Levantamentos costumam dominar o debate durante as campanhas e frequentemente dividem opiniões. Especialistas explicam como eles são feitos, por que diferentes institutos apresentam resultados distintos e até onde é possível confiar nos números

| Autor: Daniel Fischmann

Foto: Reprodução

"Essa pesquisa está certa?" "Compraram o resultado?" "Como um candidato estava na frente e perdeu a eleição?"

Essas perguntas voltam a aparecer praticamente todos os anos eleitorais. Basta um novo levantamento ser divulgado para que as redes sociais se encham de comemorações, críticas e acusações de todos os lados. Enquanto apoiadores do candidato que aparece na frente comemoram, adversários costumam colocar a metodologia em dúvida.

Mas, afinal, as pesquisas realmente erram ou existe uma interpretação equivocada sobre o que elas representam?

O primeiro ponto é entender que uma pesquisa eleitoral não foi criada para prever o futuro. Ela funciona como um retrato daquele momento da campanha. Ou seja, mostra em quem as pessoas entrevistadas pretendiam votar nos dias em que a pesquisa foi realizada. Se uma semana depois acontece um debate, um escândalo político ou qualquer outro fato que mude a opinião do eleitor, a pesquisa anterior continua correta para aquele período, mas o cenário já pode ser outro.

É justamente aí que muita gente acaba confundindo pesquisa com previsão.

Outro motivo que costuma gerar desconfiança é o número de entrevistados. Afinal, como duas ou três mil pessoas podem representar mais de 150 milhões de eleitores?

A resposta está na estatística. Os institutos não escolhem entrevistados de forma aleatória. Eles procuram montar uma amostra que represente a população brasileira, levando em consideração fatores como sexo, idade, escolaridade, renda e região onde vivem. É o mesmo princípio utilizado em pesquisas de opinião, estudos científicos e até em levantamentos sobre consumo.

Isso também explica por que diferentes institutos podem divulgar números diferentes no mesmo período. Cada empresa utiliza metodologias próprias, faz entrevistas em datas distintas e trabalha com amostras diferentes. Como a campanha muda praticamente todos os dias, pequenas diferenças na coleta já podem alterar os resultados.

Outro conceito que costuma gerar confusão é a margem de erro. Quando um candidato aparece com 34% das intenções de voto e outro com 32%, por exemplo, isso não significa necessariamente que o primeiro está na frente. Se a margem de erro for de dois pontos percentuais, ambos podem estar tecnicamente empatados.

Mesmo assim, pesquisas podem errar.

O principal motivo é que o eleitor muda de opinião. Muitos brasileiros decidem o voto apenas nos últimos dias da campanha e há quem faça essa escolha somente dentro da cabine de votação. Além disso, fatores como a abstenção e acontecimentos de última hora também podem alterar completamente o cenário que existia quando o levantamento foi realizado.

Isso significa que as pesquisas não servem para nada? Pelo contrário.

Especialistas costumam afirmar que elas são ferramentas importantes para identificar tendências da disputa, avaliar o crescimento ou queda de candidatos e entender o comportamento do eleitorado. O problema surge quando um único levantamento passa a ser tratado como se fosse o resultado definitivo da eleição.

Também existe outra discussão que divide opiniões: as pesquisas influenciam o voto?

Não há consenso. Alguns estudos apontam que parte do eleitor pode migrar para candidatos que aparecem liderando ou, em alguns casos, apoiar quem demonstra crescimento. Outros pesquisadores defendem que fatores como propostas, debates, redes sociais e identificação política continuam tendo peso muito maior na decisão final.

No Brasil, todas as pesquisas eleitorais precisam ser registradas na Justiça Eleitoral antes da divulgação. O registro informa quem contratou o levantamento, quantas pessoas foram entrevistadas, onde a pesquisa foi feita, qual foi a metodologia utilizada e qual é a margem de erro. Essas informações são públicas justamente para que qualquer cidadão possa consultar como os números foram produzidos.

No fim das contas, talvez a maior lição seja esta: pesquisas não elegem ninguém. Elas ajudam a entender o cenário de um determinado momento, mas o único resultado que realmente decide uma eleição continua sendo o das urnas.

Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.

Tags

Notícias Relacionadas