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“Minha primeira reação foi vergonha”: mulheres relatam impactos da alopecia na autoestima

“Minha primeira reação foi vergonha”: mulheres relatam impactos da alopecia na autoestima

Condição vai além da queda de cabelo e pode afetar a autoestima, a autoimagem e as relações sociais de quem convive com o problema

| Autor: Beatriz Dias

Foto: Ilustrativa

A alopecia é uma condição que provoca a perda de cabelo e pode trazer impactos que vão muito além da aparência. Para muitas mulheres, o diagnóstico vem acompanhado de sentimentos como vergonha, medo, insegurança e dificuldades relacionadas à autoestima. Além dos efeitos físicos, a condição pode afetar a vida emocional e social de quem convive com o problema.

Rita, de 49 anos, começou a perceber mudanças nos fios há mais de cinco anos. Inicialmente, acreditava que o afinamento do cabelo fazia parte do processo natural do envelhecimento, mas passou a desconfiar quando notou áreas cada vez mais vazias no couro cabeludo.

A entrevistada relata que a alopecia afetou sua autoestima e modificou alguns comportamentos do dia a dia. Com o avanço da condição, passou a sentir mais insegurança em determinadas situações sociais.

“Já deixei de ir a alguns eventos por conta da vergonha”, afirma.

De acordo com a psicóloga clínica Hérika Nascimento, esse tipo de comportamento pode ocorrer entre mulheres que enfrentam a perda capilar. Segundo a especialista, a vergonha costuma estar relacionada ao medo da avaliação negativa dos outros, o que pode levar algumas pessoas a reduzirem a participação em eventos e interações sociais.

A profissional explica que a perda de cabelo costuma ter um impacto significativo porque o cabelo está frequentemente associado à identidade, feminilidade e expressão pessoal. Por isso, a alopecia pode afetar a autoestima, a qualidade de vida e o bem-estar emocional das pacientes.

Outra entrevistada, identificada pelo nome fictício Mariana, de 35 anos, recebeu o diagnóstico neste ano após perceber alterações na divisão do cabelo. A descoberta trouxe preocupação e medo.

“Minha primeira reação foi vergonha e depois medo”, conta.

Mariana relata que buscou informações para entender o que estava acontecendo e descobriu que a condição poderia estar relacionada a fatores emocionais. O diagnóstico despertou o receio de que a queda de cabelo evoluísse rapidamente.

Para ela, o acesso à informação foi essencial durante o processo. O contato com relatos de outras mulheres e figuras públicas que falam abertamente sobre a alopecia ajudou a diminuir o sentimento de isolamento.

“Ver outras mulheres falando sobre alopecia me deu conforto de que eu não estava sozinha”, afirma.

Segundo Hérika Nascimento, a representatividade tem papel importante no enfrentamento da condição. Quando mulheres compartilham suas experiências, ajudam a reduzir o estigma e fortalecem o sentimento de pertencimento de quem passa pela mesma situação.

Nos últimos anos, famosas como Gretchen, Virginia e outras personalidades passaram a falar publicamente sobre a alopecia e os cuidados com a saúde capilar. A exposição do tema nas redes sociais tem contribuído para ampliar o debate e incentivar a busca por diagnóstico e tratamento.

A psicóloga ressalta ainda que o acolhimento emocional é fundamental durante esse processo e lembra que a autoestima não se resume à aparência física, mas também é construída a partir das relações, valores, capacidades e experiências de cada pessoa.

Para Rita e Mariana, falar sobre a condição é uma forma de incentivar outras mulheres a procurarem ajuda especializada e compreenderem que não estão sozinhas. A informação, o apoio e o acesso ao tratamento adequado podem fazer diferença no processo de aceitação e enfrentamento da alopecia.

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