Vitória pede suspensão de proibição das bets e alerta para impacto de R$ 45 milhões no caixa
Em audiência no STF, representante do clube afirmou que receitas ligadas às apostas correspondem a cerca de 17% do faturamento rubro-negro
Foto: Victor Ferreira
O Esporte Clube Vitória criticou a Medida Provisória do governo federal que proíbe as plataformas de apostas online no Brasil e pediu a suspensão da medida durante audiência pública realizada nesta terça-feira (3), no Supremo Tribunal Federal (STF). Representado pelo advogado André Sica, o clube alertou para os impactos financeiros da decisão e afirmou que a interrupção das receitas ligadas às bets coloca em risco o planejamento da equipe.
Durante sua manifestação, Sica questionou a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou que o futebol brasileiro sempre viveu sem as casas de apostas. O advogado reconheceu que o presidente tem razão ao mencionar o histórico do esporte, mas argumentou que a situação financeira atual do Vitória depende dos valores previstos nos contratos.
“Na verdade, o Excelentíssimo Presidente tem razão, mas o problema é especificamente no caso do Vitória. Como o Vitória vai chegar ao final deste ano sem as bets? Porque o Vitória contava com esses valores”, afirmou.
Segundo o representante, o clube possui faturamento anual de aproximadamente R$ 290 milhões. Desse total, cerca de R$ 45 milhões estão relacionados a contratos com empresas de apostas e publicidade em placas, o equivalente a quase 17% da receita.
Sica também destacou a situação esportiva do Vitória, que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro, e afirmou que o clube enfrenta dificuldades para manter seus compromissos financeiros após a interrupção dos contratos.
“Está disputando uma Série A a duras penas, com desfalque de caixa”, declarou.
O advogado ressaltou ainda a trajetória centenária do Rubro-Negro, fundado em 1899, e afirmou que a instituição possui mais de quatro milhões de torcedores. Segundo ele, a retirada repentina de uma fonte de receita compromete o planejamento financeiro, especialmente porque as despesas e obrigações do clube continuam existindo.
Além de pedir a suspensão da MP, o representante do clube defendeu a criação de um período de transição para que o setor possa se adequar às novas regras. A proposta é permitir que o Congresso Nacional discuta alternativas de regulamentação enquanto os clubes reorganizam suas receitas.
A Medida Provisória nº 1.394/2026 foi editada pelo presidente Lula em setembro e determinou a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país.
A discussão ocorre em audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, relator de ações que questionam a medida no STF. Representantes de clubes de futebol, do governo federal e de entidades ligadas ao setor participam do debate.
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