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Tifanny Abreu sofre nova derrota na Justiça e fica fora da Superliga

Tifanny Abreu sofre nova derrota na Justiça e fica fora da Superliga

Decisão unânime do STJD do Voleibol e suspensão de liminar pelo Tribunal de Justiça do Rio impedem jogadora de atuar pelo Osasco nas competições da CBV

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Redes Sociais

A jogadora Tifanny Abreu voltou a ficar impedida de disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) após duas decisões desfavoráveis nesta sexta-feira (23). O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol rejeitou, por unanimidade, o pedido apresentado pela atleta, enquanto o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) suspendeu a liminar que autorizava sua participação nos jogos do Osasco. 

Com as decisões, Tifanny não poderá defender o Osasco na partida contra o Mackenzie, marcada para este sábado (24), às 16h, em Belo Horizonte, pela segunda rodada da Superliga Feminina. A atleta havia conseguido uma autorização provisória da Justiça comum no dia 16 de outubro, que permitiu sua participação na Supercopa, contra o Praia Clube, e na estreia da Superliga, diante do Brasília. 

O Tribunal de Justiça do Rio fundamentou a suspensão da liminar no artigo 217 da Constituição Federal, que estabelece a necessidade de esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva antes da análise, pelo Poder Judiciário, de questões relacionadas à disciplina e às competições esportivas. Segundo o relator, a urgência provocada pelo calendário não seria suficiente, por si só, para justificar a intervenção da Justiça comum antes da conclusão dos recursos na esfera esportiva. 

No julgamento desportivo, o STJD defendeu a autonomia da CBV para atualizar os critérios de elegibilidade de suas competições. O órgão considerou que o histórico de participação de Tifanny em temporadas anteriores, a existência de regras internacionais e o contrato profissional com o Osasco não impedem, isoladamente, a confederação de estabelecer novas normas.

A defesa da atleta, liderada pelo advogado Luis Fernando Novaes, informou que pretende pedir a reavaliação da decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e continuar recorrendo à Justiça comum. 

Entenda a regra da CBV

Aos 41 anos, Tifanny disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. A jogadora foi diretamente afetada pela mudança na política de elegibilidade anunciada pela CBV em agosto de 2026, que passou a restringir a participação em torneios femininos a atletas que atendam aos critérios definidos pela entidade.

A nova política prevê a apresentação de um teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. Segundo a confederação, a medida está alinhada às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). 

Antes da mudança, a política da CBV permitia a participação de atletas trans mediante critérios relacionados aos níveis de testosterona. Tifanny havia conquistado o Campeonato Paulista pelo Osasco após o anúncio da nova regra, mas sua participação nas competições nacionais organizadas pela confederação passou a ser questionada.

Em nota, a CBV afirmou que cumpriu integralmente a decisão judicial que permitiu temporariamente a atuação da jogadora e que continuará respeitando as determinações do Poder Judiciário e da Justiça Desportiva. A entidade também declarou manter o compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas e defendeu que sua política de elegibilidade é uma norma geral, aplicada igualmente às competidoras.

Tifanny já havia criticado a mudança da confederação, classificando a medida como um retrocesso para a inclusão no esporte. Apesar das decisões desta sexta-feira, a defesa pretende continuar buscando caminhos jurídicos para tentar reverter o impedimento.

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