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Protocolo antirracismo é acionado em partida do Brasileiro Sub-20 feminino

Protocolo antirracismo é acionado em partida do Brasileiro Sub-20 feminino

Maqueiro suspeito de ofender atleta foi retirado do estádio.

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Reprodução/SporTV

Nesta quarta-feira (20), a partida disputada entre Ferroviária e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro feminino sub-20 ficou marcada pelo acionamento do protocolo antirracismo. O ocorrido teve início aos 45 minutos do segundo tempo, quando uma defensora do São Paulo pediu atendimento médico no gramado.

A atleta era carregada de maca para a lateral do gramado, quando acusou um dos quatro maqueiros da ofensa. A jogadora também foi vista chorando enquanto aguardava autorização para voltar ao jogo.

A árbitra Tatiana Ximenes de Freitas acionou o protocolo antirracista aos 47 minutos e buscou mais informações sobre a situação com as demais atletas, comissões técnicas e o quarto árbitro.

A defensora do São Paulo foi chamada pela árbitra para contar o que foi dito:

"Ele me mandou tomar no c* e me chamou de biscate!", afirmou.

Em entrevista após o término do jogo, a atleta demonstrou toda a sua indignação e contou sua versão para o repórter:

"É inadmissível! A gente tá em uma categoria de base, a gente tá aqui para aprender sobre futebol. Em um momento daquele, o cara me mandar tomar no c* e me chamar de biscate é inadmissível. É a única coisa que eu falo. A gente passa o ano inteiro treinando longe da família, para chegar um cara daquele e me chamar de biscate fora de campo? É inadmissível."

O São Paulo, clube no qual a atleta atua, emitiu um comunicado por meio de nota oficial repudiando o ocorrido:

"Na partida desta quarta-feira (20), entre Ferroviária e São Paulo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, a arbitragem acionou o protocolo antirracista após a atleta Sarah Aysha, do São Paulo, sofrer um episódio de misoginia vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante.

O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita.

O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa.

O Futebol Feminino é gigante, e não há espaço para cenas lamentáveis como esta."

A Ferroviária também se manifestou:

"As Guerreiras Grenás vêm a público manifestar repúdio à atitude ocorrida ao final da partida da categoria Sub-20, quando um integrante da equipe de apoio proferiu ofensas contra uma atleta do São Paulo Futebol Clube.

O comportamento registrado é inadmissível, não representa os valores da instituição e contraria tudo aquilo que defendemos dentro e fora de campo: respeito, responsabilidade, ética, formação humana e valorização das mulheres no esporte.

Pedimos desculpas à atleta ofendida, ao São Paulo Futebol Clube, à sua comissão técnica, ao elenco e a todos que se sentiram atingidos pela situação. Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes.

A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas.

As Guerreiras Grenás também parabenizam o São Paulo Futebol Clube pela classificação à final do Campeonato Brasileiro Sub-20, reconhecendo a campanha realizada pela equipe e desejando uma decisão à altura da grandeza da competição."

O protocolo antirracismo é um procedimento oficial criado pela FIFA e adotado no Brasil pela CBF, que autoriza árbitros a paralisarem partidas em casos de ofensas raciais.

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