“Michael” emociona e arrepia, mas tropeça ao contar a própria história
Cinebiografia destaca o gênio musical, mas perde força ao acelerar a narrativa e ignorar a complexidade do artista
Foto: Divulgação/Universal Studios
Michael é um filme que impacta logo de cara. A experiência é intensa, com momentos que realmente arrepiam, principalmente nas performances musicais. Os atores entregam emoção, presença e conseguem traduzir bem a grandiosidade de Michael Jackson.
O filme acerta ao mostrar o nascimento do fenômeno. Desde a infância, Michael já aparece como um talento fora da curva, mas também como alguém moldado por um ambiente de extrema pressão. A figura do pai rígido, que exigia perfeição como forma de escapar de uma vida difícil como operário, é central e ajuda a entender os conflitos que acompanham o artista ao longo da vida.
A obra também tenta ampliar o olhar para além da música, abordando temas como racismo, tensões sociais e o crescimento de gangues nos Estados Unidos. Nesse cenário, Michael surge como alguém que acreditava na música como ferramenta de transformação e paz, reforçando seu papel para além do entretenimento.
O filme também não economiza ao destacar o gênio: revolucionário, inovador e dono de um talento raro. Um artista que ultrapassou o sucesso e virou símbolo global.
Mas é justamente aí que entra o principal problema.
O filme acerta muito no artista… e falha no homem.
A narrativa acelera em momentos cruciais — especialmente na infância — e se dispersa ao dividir o foco com a família. E aqui não é só uma impressão: em vários momentos, o protagonismo de Michael é diluído. A história se abre tanto para os Jacksons que o filme parece mais interessado na dinâmica familiar do que na construção individual do artista. Em certos trechos, a sensação é clara, o filme poderia muito bem se chamar: “Jacksons”.
Essa escolha enfraquece a proposta de cinebiografia. Ao tentar contar muitas histórias ao mesmo tempo, o roteiro perde profundidade justamente onde mais importa: no desenvolvimento pessoal de Michael.
Além disso, há uma omissão clara de temas polêmicos da vida do artista. Ao evitar essas questões, o filme perde complexidade e opta por um retrato mais seguro, quase protegido, o que distancia a obra de um olhar realmente completo.
No fim, “Michael” vale muito a pena assistir mas principalmente para quem já é fã de Michael Jackson. Para esse público, a experiência é emocionante e envolvente. Já para quem busca uma cinebiografia mais profunda e equilibrada, o filme deixa a desejar, principalmente ao tratar da vida individual, ao priorizar excessivamente o núcleo familiar e ao acelerar momentos-chave da narrativa.
Nota: 7,5/10 ?
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