iFood vai além do delivery e avança como fintech ao oferecer crédito a restaurantes
Com bilhões em empréstimos e crescimento acelerado, plataforma transforma dados e vendas em um modelo financeiro que vai além do delivery
Foto: Reprodução
O iFood já não é apenas um aplicativo de entrega de comida. Nos bastidores, a empresa vem consolidando um modelo de negócios baseado em serviços financeiros, oferecendo crédito a restaurantes parceiros e ampliando sua presença como fintech no Brasil.
A estratégia gira em torno do chamado “iFood Pago”, braço financeiro da companhia que permite aos estabelecimentos acessar empréstimos com base no próprio desempenho dentro da plataforma. O diferencial está na forma de pagamento: as parcelas são descontadas automaticamente dos pedidos realizados, reduzindo o risco de inadimplência.
Esse modelo, que parece simples, sustenta uma operação bilionária. A fintech já concedeu mais de R$ 2 bilhões em crédito e movimenta cerca de R$ 160 milhões por mês em financiamentos para restaurantes . Ao todo, são centenas de milhares de contas ativas dentro do ecossistema.
O crescimento tem sido acelerado. Em um intervalo recente, a receita da vertical financeira avançou 96% e atingiu lucratividade pela primeira vez em 2025, com mais de 200 mil contas digitais ativas . A expectativa é que o braço financeiro alcance cerca de R$ 2,5 bilhões em receita nos próximos ciclos .
Além do crédito, o iFood vem expandindo seu portfólio com soluções como maquininhas de pagamento, vale-refeição e, mais recentemente, testes com parcelamento e crédito ao consumidor. A ideia é centralizar toda a vida financeira dos restaurantes dentro da própria plataforma.
Por trás desse avanço está uma lógica baseada em dados. A empresa utiliza inteligência artificial para analisar o desempenho dos estabelecimentos, frequência de pedidos, avaliações e fluxo de caixa, e, com isso, definir limites e condições de crédito .
Esse sistema cria um ciclo contínuo: quanto mais o restaurante vende, mais dados gera; quanto mais dados, maior o acesso ao crédito; e quanto mais crédito, maior a dependência da plataforma.
O movimento também está alinhado à estratégia da Prosus, controladora do iFood, que tem apostado na integração entre tecnologia e serviços financeiros para impulsionar receitas. Hoje, a empresa brasileira já lidera o mercado de delivery no país e concentra grande parte das transações do setor.
Especialistas apontam que o modelo é eficiente e amplia o acesso ao crédito, mas também levanta discussões sobre concentração de mercado e dependência dos restaurantes em relação à plataforma.
Com investimentos bilionários previstos e expansão contínua dos serviços financeiros, o iFood caminha para se consolidar não apenas como líder em delivery, mas como um dos principais players de fintech do país, usando a comida como porta de entrada e os dados como principal ativo.
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