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Mais de 600 obras de artistas afro-brasileiros retornam ao Brasil e entram no acervo de museu em Salvador

Mais de 600 obras de artistas afro-brasileiros retornam ao Brasil e entram no acervo de museu em Salvador

Coleção histórica repatriada dos EUA fortalece preservação da arte afro-brasileira e sua presença no patrimônio cultural nacional

| Autor: Redação/Varela Net

Foto: Divulgação

Um conjunto de 666 obras de arte produzidas por artistas afro-brasileiros foi devolvido ao Brasil e passou a integrar o acervo do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado no Centro Histórico de Salvador (BA). A repatriação, considerada a maior da história do país para esse tipo de acervo, marca um passo importante na valorização da produção artística negra e no reconhecimento de suas narrativas culturais. 

As peças estavam nos Estados Unidos há cerca de 30 anos como parte de uma coleção privada organizada pelas norte-americanas Bárbara Cervenka (artista plástica) e Marion Jackson (historiadora da arte). Diferente de casos de arte saqueada, os itens foram legalmente adquiridos e agora retornam ao Brasil por doação voluntária das colecionadoras ao museu baiano.

O acervo reúne trabalhos de 135 artistas, com cerca de 93 nomes afro-brasileiros, entre os quais se destacam J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim, entre outros. A coleção inclui pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, gravuras, estampas e peças de arte sacra, cobrindo diferentes épocas, linguagens estéticas e territórios do Brasil. 

Segundo a direção artística do MUNCAB, o retorno dessas obras tem grande peso simbólico e histórico, pois muitas delas representam expressões culturais marginalizadas por instituições hegemônicas de arte ao longo do tempo. A integração ao acervo do museu reforça a missão de resgatar, preservar e difundir a arte afro-brasileira enquanto parte essencial da identidade nacional. 

A chegada das peças ao Brasil não foi simples: o processo envolveu um complexo trabalho logístico internacional, que incluiu embalagem especializada, cumprimento de normas de conservação museológica, trâmites alfandegários e transporte técnico com o apoio da Alfândega da Receita Federal em Salvador.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância do retorno para o fortalecimento da identidade cultural e do patrimônio artístico brasileiro, ressaltando que ações assim valorizam tradições e narrativas que estiveram por muito tempo fora dos grandes circuitos institucionais.

Agora integradas ao acervo permanente do MUNCAB, as obras ampliam significativamente a coleção do museu e servem como base para exposições, pesquisas e programas educativos que reforçam a diversidade e a riqueza da arte produzida por artistas negros no Brasil.

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