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‘Jesus’ e ‘assassinos’: terreiro de Candomblé em Salvador é alvo de pichação

‘Jesus’ e ‘assassinos’: terreiro de Candomblé em Salvador é alvo de pichação

Vídeos que circulam nas redes sociais registram o ato de depredação contra o terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Reprodução/Redes sociais

Um terreiro de candomblé localizado em Cajazeiras 11, Salvador, foi alvo de vandalismo no último sábado (17). O muro do local sagrado foi pichado com tinta vermelha, contendo as palavras: “Jesus” e “assassinos”.

Vídeos que circulam nas redes sociais registram o ato de depredação contra o terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, mostrando a indignação das pessoas que filmavam a cena.

Em resposta ao ocorrido, a Frente Nacional Makota Valdina divulgou uma nota nas redes sociais, condenando o ato como manifestação de racismo religioso e intolerância. “Tal ação não é apenas uma ofensa à nossa comunidade religiosa, mas configura um ataque direto à liberdade de crença, ao direito constitucional de culto e à dignidade das religiões de matriz africana. Trata-se de um crime motivado por ódio religioso, que reforça estigmas, incita a violência simbólica e perpetua o racismo estrutural historicamente imposto aos nossos povos”, afirmou a entidade.

A Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN) investiga o caso, que envolve denúncia de dano e discriminação, com o objetivo de identificar os responsáveis pelo ataque.

A repercussão do episódio provocou revolta entre entidades religiosas e integrantes da sociedade civil. Tata Konmannanjy, presidente da Associação Cultural Bantu (ACBantu), que representa as nações Congo e Angola, destacou que a situação evidencia a invisibilidade dos povos de terreiro perante o Estado.

“É muito preocupante, porque o cidadão ou grupo que fez isso cometeu dois crimes: o de intolerância religiosa e o de invasão de território. Esse último pesa tanto quanto o primeiro, e é possível enquadrar esse caso como invasão porque houve entrada na fronteira do território ao pichar a fachada. Por isso, tem que saber quem foi o autor do crime, para poder puni-lo. Eu vou a Brasília fazer um ofício e delatar isso ao Conselho Nacional”, declarou Tata Konmannanjy.

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