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Secretário é afastado após áudio em que pede prisão de eleitores do PT: “Vão ficar com medo”

Secretário é afastado após áudio em que pede prisão de eleitores do PT: “Vão ficar com medo”

Sargento James Mota alegou que as falas eram brincadeiras em grupo de policiais; TRE-MA acionou a Polícia Federal para apurar o caso

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Divulgação/Prefeitura de Barra do Corda

O secretário municipal de Segurança de Barra do Corda, no Maranhão, sargento James Mota da Silva, foi afastado do cargo após a divulgação de áudios em que defende a prisão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) para intimidar outros eleitores. O caso veio à tona na quinta-feira (22) e levou o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a acionar a Polícia Federal (PF).

Em uma das gravações, James chama apoiadores do partido de “inimigos da polícia” e defende que sejam presos. “Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”, afirma.

Em outro trecho, o sargento diz que eleitores do PT seriam “inimigos da polícia” e “inimigos da sociedade”. Ele também relata ter abordado pessoas que, segundo ele, distribuíam santinhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em frente a escolas do município durante o primeiro turno.

As gravações ainda incluem a fala de uma pessoa não identificada que pede ao secretário que mobilize a Guarda Municipal para realizar prisões.

Após a repercussão, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), determinou o afastamento de James da Secretaria Municipal de Segurança até o fim do período eleitoral. O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), também anunciou o afastamento do sargento de suas funções na Polícia Militar e determinou a investigação das declarações.

Em nota, a prefeitura afirmou reprovar qualquer manifestação contrária à democracia e ao livre exercício do voto. A administração municipal também declarou que todos os eleitores devem ter garantido o direito de votar livremente, independentemente de sua preferência política.

James Mota admitiu ter enviado os áudios, mas afirmou que as declarações foram feitas em um grupo fechado de policiais militares, no qual, segundo ele, eram comuns brincadeiras e provocações políticas recíprocas.

O sargento reconheceu que utilizou expressões fortes, mas negou a intenção de ofender eleitores ou utilizar o cargo público para favorecer ou prejudicar qualquer grupo político.

Na justificativa, ele disse que as referências à fiscalização eleitoral, à compra de votos e à atuação de fiscais tinham como objetivo defender a lisura do processo. Também afirmou que policiais da reserva e aposentados eram incentivados a contribuir com a fiscalização das eleições.

James sustentou ainda que as gravações foram divulgadas sem o contexto das conversas e que ele próprio era alvo de provocações por causa de suas posições políticas.

O TRE-MA comunicou o caso à Polícia Federal para apuração das declarações. Além disso, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral.

A representação solicita a investigação de possíveis crimes eleitorais, incluindo suspeitas de intimidação e constrangimento de eleitores. O documento também pede análise técnica dos áudios e apuração de eventuais abordagens ou detenções relacionadas à campanha.

As medidas anunciadas pelas autoridades não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal do sargento. O caso será apurado pelos órgãos competentes.

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