Lula diz que Brasil não será colônia e defende soberania em pronunciamento do 7 de Setembro
Presidente fez críticas indiretas ao tarifaço dos Estados Unidos, citou riquezas brasileiras e destacou Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica
Foto: Redes Sociais/@lulaoficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não é e não será “colônia de ninguém” durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (6), véspera do 7 de Setembro. A fala teve como principal tema a defesa da soberania brasileira e ocorreu em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos após a imposição de tarifas sobre produtos nacionais.
Sem citar diretamente o governo norte-americano, Lula afirmou que o Brasil não deve se submeter aos interesses de outras potências. “Não podemos abaixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil em uma nova colônia. Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, declarou.
O presidente também defendeu o livre comércio e afirmou que cabe ao próprio Brasil decidir suas relações comerciais. “Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender. Somos um país soberano e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, disse.
Durante o pronunciamento, Lula associou a defesa da independência à proteção das riquezas naturais brasileiras. Ele citou as reservas de terras raras, a água doce e uma nova reserva de petróleo, afirmando que esses recursos devem ser utilizados para promover o desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos no país.
Lula também destacou a aprovação, no Congresso Nacional, do marco legal para minerais críticos e terras raras. Segundo o presidente, a medida permitirá transformar as reservas brasileiras em desenvolvimento e riqueza para a população. Ele defendeu ainda que os recursos naturais sejam utilizados para fortalecer a indústria e a tecnologia nacionais.
Ao falar sobre a Independência do Brasil, Lula fez uma referência direta à Bahia e citou três mulheres ligadas às lutas pela independência no estado. “De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de Julho na Bahia”, afirmou. Na sequência, declarou que defender a independência brasileira também significa proteger a soberania e a democracia.
O discurso também abordou questões sociais. Lula afirmou que a independência deve representar melhores condições de vida para a população, com acesso à educação, saúde, emprego e independência financeira. O presidente também defendeu um país livre da fome, da pobreza e das desigualdades e mencionou a necessidade de os brasileiros terem mais tempo para si e para suas famílias.
Na parte final da mensagem, Lula citou a Amazônia, a biodiversidade e a transição energética como exemplos da importância estratégica do Brasil. Segundo ele, o país deve utilizar seus recursos naturais e sua capacidade de produção para enfrentar a emergência climática e ampliar o desenvolvimento nacional.
O pronunciamento teve cerca de três minutos e 40 segundos e foi autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, havia permitido a transmissão na sexta-feira (4), considerando que a mensagem relacionada ao 7 de Setembro possui interesse público e significado histórico e institucional. A autorização ocorreu devido ao fato de 2026 ser ano eleitoral.
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