Flávio Bolsonaro saiu do Brasil em operação com documentos diferentes e voo de R$ 800 mil
Reportagem do Fantástico revelou detalhes da operação que levou o senador e a família aos Estados Unidos, com registros migratórios suspeitos na Argentina e voo de luxo estimado em R$ 800 mil
Foto: Charles Vieira
Uma investigação exibida pelo Fantástico neste domingo (1º) revelou detalhes da operação que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família do Brasil aos Estados Unidos. Documentos do sistema de imigração da Argentina indicam que o deslocamento envolveu voos privados, travessia terrestre e três registros de entrada do parlamentar no país vizinho em apenas 40 minutos, usando documentos diferentes.
De acordo com a reportagem, Flávio saiu de Brasília na terça-feira (27), em um jato Cessna Citation Excel vinculado ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A aeronave pousou na região de Buenos Aires, de onde ele teria continuado em outro avião particular até Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).
Enquanto isso, a esposa do senador, Fernanda, e as duas filhas viajaram de Brasília para Cascavel, no Paraná. De lá, partiram de van até a Argentina.
Os documentos conseguidos pelo Fantástico mostram três registros de entrada de Flávio na Argentina: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com carteira de motorista; e às 23h11, com passaporte brasileiro. Os dois registros feitos com documentos brasileiros foram cancelados, permanecendo válido somente o ingresso com o passaporte italiano.
Outra van que cruzou a fronteira transportava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o israelense Menachem Booky Halevy, indicado como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel.
O motorista negou ter transportado integrantes da família Bolsonaro. Já um jornalista argentino relatou ter visto uma comitiva com escolta policial e veículos oficiais brasileiros e argentinos no aeroporto de Puerto Iguazú.
A viagem aos Estados Unidos foi feita em um jato de luxo Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly. O proprietário da companhia informou que o voo custou US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, pagos por um intermediário do setor de aviação baseado nos Estados Unidos.
A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami, na manhã de quarta-feira (28).
A Justiça argentina determinou a preservação de imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto. Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio negou participação do governo americano na organização da viagem.
O advogado de Flávio, Frederick Wassef, negou que tenha sido feita uma fuga. A assessoria de Willer Tomaz também declarou que aeronaves vinculadas ao advogado não foram utilizadas pelo senador ou por familiares. A Baires Fly não respondeu aos questionamentos.
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