Empresas de Virginia Fonseca entram no radar por investigação financeira e condenação na Justiça
Talismã Digital recebeu R$ 17,7 milhões de empresa ligada a advogado investigado pela PF; já a WePink terá que indenizar consumidora que sofreu lesão na córnea após usar cosmético
Foto: Redes Sociais
Duas empresas ligadas à influenciadora Virginia Fonseca foram envolvidas em casos que ganharam repercussão nesta semana. A Talismã Digital, pertencente à empresária, recebeu R$ 17,7 milhões em transferências de uma companhia atribuída ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) em um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado ao mercado de apostas. Já a WePink, marca de cosméticos da qual Virginia é sócia, foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 8 mil de indenização a uma consumidora que sofreu uma lesão na córnea após utilizar um produto da empresa.
Os casos são independentes e envolvem empresas diferentes. No primeiro, as movimentações financeiras estão sob análise das autoridades. No segundo, a condenação foi determinada pela 32ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Transferências de R$ 17,7 milhões são investigadas
A Talismã Digital recebeu cinco transferências via Pix da AMP Pay Marketing e Negócios entre março e setembro de 2024. Os repasses coincidiram com o período em que Virginia realizava campanhas publicitárias para a plataforma de apostas Blaze.
A movimentação foi identificada pelo Banco Santander, que considerou as operações atípicas e comunicou o caso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A suspeita chamou a atenção pelo volume dos valores e pelo enquadramento tributário da empresa responsável pelos pagamentos.
A AMP Pay está registrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Apesar disso, transferiu R$ 17,7 milhões à empresa de Virginia em sete meses. A companhia também possui capital social declarado de R$ 50 mil e endereço cadastrado em um pequeno espaço comercial em Itajaí, Santa Catarina.
Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que Willer Tomaz declarou ser sócio ou acionista da AMP Pay em um e-mail enviado ao Magnum Bank, instituição financeira da qual era cliente. Entretanto, os registros da Receita Federal apontam Guilherme Maciel como proprietário oficial da empresa.
A PF investiga se a companhia teria sido utilizada como parte de uma estrutura para movimentar recursos financeiros. As características da empresa levantaram a hipótese de que ela pudesse funcionar como uma fachada, mas a investigação ainda busca esclarecer a origem e a finalidade das operações.
Procurada pela Folha de S.Paulo, a assessoria de Virginia afirmou que os R$ 17,7 milhões correspondem a pagamentos por campanhas publicitárias devidamente contratadas. A defesa também declarou que Willer Tomaz não aparece em contratos firmados pela Talismã Digital e que a influenciadora não conhece o advogado nem manteve contato ou negociação direta com ele.
Guilherme Maciel, por sua vez, afirmou que não conhece Willer e que a AMP Pay funcionou regularmente entre 2024 e 2025 como um gateway de pagamentos. Ele não detalhou quais serviços foram prestados à empresa de Virginia.
Caso também envolve mercado de apostas
A movimentação financeira chamou a atenção dos investigadores por coincidir com o período em que Virginia fazia publicidade para a Blaze. A Polícia Federal apura suspeitas de que Willer Tomaz tenha utilizado plataformas de apostas e instituições de pagamento para movimentar ou ocultar recursos.
Segundo informações da investigação, uma das hipóteses envolve apostas sucessivas, com perdas e retiradas de valores em operações que poderiam dificultar o rastreamento do dinheiro. A PF também identificou movimentações do advogado por meio de uma conta na fintech A55, utilizada para enviar recursos à Blaze.
O nome de Virginia já havia aparecido no debate sobre o setor em 2025, quando a influenciadora foi convocada para depor na CPI das Bets, no Senado. Na ocasião, foi questionada sobre contratos publicitários e a divulgação de plataformas de apostas. A relatora da comissão chegou a propor seu indiciamento, mas o relatório final acabou rejeitado pelo colegiado.
WePink terá que pagar R$ 8 mil a consumidora
Em outro caso, a WePink foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a indenizar uma consumidora que sofreu uma lesão ocular após utilizar um cosmético da marca.
A decisão foi tomada pela 32ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, que reformou uma sentença de primeira instância favorável à empresa. O colegiado considerou um laudo pericial elaborado por uma médica oftalmologista, que relacionou a utilização do produto a uma queimadura química na córnea.
Segundo o processo, a mulher desenvolveu ceratite grave no olho esquerdo, comprometendo três quartos da córnea. A lesão também teria provocado incapacidade total e temporária para o trabalho por aproximadamente 15 dias.
No acórdão publicado na quinta-feira (5), o desembargador relator Andrade Neto avaliou que os danos ultrapassaram um simples aborrecimento e atingiram a integridade física da consumidora.
“Inegável que a situação vivenciada pela recorrente extrapola o mero dissabor ou simples aborrecimento, a caracterizar o dano moral in re ipsa. A violação concreta à integridade física da consumidora, as dores oculares, a perda temporária de acuidade visual, e o sentimento de angústia quanto a eventuais consequências mais graves configuram lesão a direitos da personalidade”, afirmou.
O magistrado considerou adequado o pagamento de R$ 8 mil por danos morais. Além da indenização, a empresa também foi condenada a arcar com os honorários da ação.
O pedido da consumidora havia sido negado em primeira instância. Ela recorreu e conseguiu reverter a decisão após a análise das provas e do laudo médico. Até a divulgação das informações, não havia manifestação da WePink sobre a condenação.
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