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Discord reage à suspensão de lives no Brasil e diz que decisão da ANPD é “prematura”

Discord reage à suspensão de lives no Brasil e diz que decisão da ANPD é “prematura”

Plataforma afirma que removeu servidor ligado ao caso de adolescente que morreu durante transmissão e que ainda estava dentro do prazo para apresentar sua defesa

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Adobe S

O Discord se manifestou, nesta quarta-feira (12), sobre a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de suspender as transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. Em nota, a empresa classificou a medida como “prematura” e afirmou que a caracterização feita pela agência não representa a atuação da companhia nem os investimentos realizados na segurança dos usuários.

A decisão da ANPD foi tomada após uma análise técnica que, segundo a agência, identificou irregularidades na plataforma. A medida preventiva determina que o Discord suspenda a função de lives no país no prazo de três dias úteis.

A empresa afirmou que recebeu a determinação na última sexta-feira (7) e que ainda estava dentro do prazo para apresentar uma manifestação no processo administrativo. “Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários”, declarou.

O posicionamento ocorre em meio à investigação sobre a morte de uma adolescente de 13 anos, que teria sido induzida, coagida e ameaçada por integrantes de um grupo a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo. No dia 4 de agosto, uma operação conjunta das polícias civis de cinco estados cumpriu mandados contra suspeitos de envolvimento no caso.

Segundo o Discord, o servidor privado relacionado à investigação foi identificado e removido pela própria plataforma antes da morte da adolescente. “O Discord investigou um servidor privado no qual acredita-se que indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação e derrubou o servidor antes da morte da adolescente”, afirmou a empresa.

A companhia também declarou que as investigações internas apontaram que parte da atividade criminosa teria ocorrido em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuado depois que os envolvidos foram banidos.

O Discord afirmou ainda que mantém equipes especializadas no combate a grupos que promovem violência e que continua colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. A plataforma, porém, não informou se pretende recorrer da decisão da ANPD ou contestá-la judicialmente.

A suspensão ocorreu após a primeira-dama Janja da Silva defender a retirada imediata do Discord do ar, em referência ao caso envolvendo a adolescente. A ANPD informou que a plataforma vinha sendo monitorada desde o ano passado antes da adoção da medida.

Em sua manifestação, o Discord disse estar “desapontado” com a decisão e afirmou que pretende continuar dialogando com as autoridades brasileiras para discutir medidas de segurança digital.

Confira a nota completa do Discord

“Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários.

O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação.

Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord.

Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma.

Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.”

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