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Ciclone-bomba atinge o Sul e avança pelo país com ventos de até 132 km/h

Ciclone-bomba atinge o Sul e avança pelo país com ventos de até 132 km/h

Fenômeno provocou uma morte, deixou feridos e causou estragos em dezenas de municípios, além de gerar alertas para outras regiões

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Inmet

A passagem de um intenso sistema de instabilidade pelo Sul do Brasil provocou uma morte, deixou feridos e causou uma série de estragos no Rio Grande do Sul entre a noite de quinta-feira (6) e a manhã desta sexta (7). Rajadas de vento chegaram a 132 km/h no estado, que registrou queda de árvores, destelhamentos, interrupção de serviços e até a ocorrência de um tornado. As informações são da Defesa Civil.

A vítima fatal foi um motociclista de 33 anos, que morreu após ser atingido por uma árvore durante o temporal no km 41 da RS-124, em Montenegro, a cerca de 64 quilômetros de Porto Alegre. A ocorrência foi confirmada pelo Comando de Polícia Rodoviária da Brigada Militar.

Montenegro registrou diversos danos, principalmente na região central. A força dos ventos provocou quedas de árvores e postes, destelhamentos e prejuízos em estabelecimentos comerciais. Outras cidades gaúchas também tiveram residências e escolas danificadas, além de pontos de alagamento.

Entre os episódios mais severos registrados no estado está um tornado na região entre Pedro Osório e Pelotas. Segundo informações meteorológicas, o fenômeno esteve associado a uma supercélula formada durante a passagem do sistema de instabilidade. A ocorrência provocou destelhamentos, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

Além do tornado, diferentes regiões do Rio Grande do Sul registraram granizo e rajadas superiores a 100 km/h. Em algumas localidades, os ventos passaram dos 120 km/h. O cenário fez com que dezenas de municípios contabilizassem danos provocados pelo temporal.

O sistema também avançou em direção ao Sudeste e colocou estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em alerta para ventos fortes. No litoral paulista, Santos registrou rajadas de 109 km/h durante a manhã desta sexta-feira, segundo a Defesa Civil. Uma árvore caiu em uma área residencial, mas não houve registro de vítimas.

Como medida preventiva, municípios do litoral de São Paulo suspenderam as aulas da rede pública. Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Bertioga e Itanhaém estão entre as cidades que adotaram a medida diante da previsão de rajadas superiores a 60 km/h.

No Rio de Janeiro, as aulas da rede pública também foram suspensas nesta sexta-feira. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) interrompeu as atividades presenciais em seus campi. A capital fluminense entrou em Estágio 2 de risco, enquanto a Defesa Civil enviou alertas para celulares recomendando que a população evite deslocamentos e procure locais seguros.

A Prefeitura do Rio e o governo estadual também recomendaram a antecipação do encerramento de atividades não essenciais para facilitar o retorno da população para casa. A medida foi adotada diante da previsão de rajadas que podem chegar a 90 km/h, com possibilidade de ventos ainda mais fortes em áreas litorâneas e serranas.

A previsão indica que os ventos podem atingir entre 90 e 110 km/h em áreas do litoral de São Paulo, na Serra do Mar, no Vale do Paraíba, na Costa Verde e no sul do Rio de Janeiro. Em outras regiões dos dois estados e no sul de Minas Gerais, as rajadas podem variar entre 70 e 90 km/h.

O sistema também influencia o tempo em parte do Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul pode registrar chuva forte, trovoadas e granizo, especialmente nas regiões próximas à divisa com o Paraná. Em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, o tempo permanece mais quente e seco, com umidade relativa do ar abaixo de 30% em alguns períodos.

No Sul, a sexta-feira ainda deve ser marcada por chuva forte, trovoadas e ventos intensos, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. No Paraná, as rajadas podem chegar ou superar 90 km/h no leste do estado. Em Santa Catarina, também há possibilidade de temporais e granizo.

No Rio Grande do Sul, a tendência é de redução das chuvas ao longo do dia, mas a chegada de uma massa de ar frio deve provocar uma queda acentuada nas temperaturas. Em Porto Alegre, os termômetros podem chegar a 5°C durante o fim de semana, enquanto algumas áreas do estado podem registrar temperaturas próximas de 0°C.

O que é o ciclone-bomba

O fenômeno conhecido como ciclone-bomba ocorre quando um sistema de baixa pressão atmosférica se intensifica de maneira muito rápida. Tecnicamente chamado de ciclogênese explosiva ou bombogênese, o processo é caracterizado por uma queda acentuada da pressão atmosférica no centro do sistema em aproximadamente 24 horas.

O sistema que influencia o tempo no Brasil se formou entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul e avança em direção ao Atlântico Sul. Mesmo com o afastamento do continente, a diferença de pressão entre o oceano e as áreas próximas ao litoral deve manter a influência do fenômeno sobre o Sul e o Sudeste.

A sexta-feira concentra o período de maior risco de ventania no Sudeste, com possibilidade de rajadas de até 110 km/h em áreas do litoral paulista e fluminense. O mar também deve ficar agitado, com aumento das ondas na costa do Sul e avanço da condição para o Sudeste ao longo do fim de semana.

Após a passagem do sistema, uma massa de ar frio deve avançar pelo país e provocar queda significativa nas temperaturas no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. As autoridades recomendam que a população acompanhe os alertas meteorológicos e evite áreas de risco durante os períodos de chuva e ventania.

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