Às vésperas do segundo turno, Lula anuncia perdão de dívidas e auxílio para MEIs
Pacote inclui renegociação de débitos bancários, auxílio de até R$ 5 mil e mudanças nas regras para pequenos empreendedores; parte das medidas ainda depende do Congresso
Foto: Ricardo Stuckert
A menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (13) um pacote de medidas voltado aos microempreendedores individuais (MEIs). Batizado de Prospera MEI, o programa prevê o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas com o governo federal, além de iniciativas para renegociar débitos bancários e ampliar o acesso a recursos para pequenos negócios. O anúncio ocorre a 12 dias da votação, marcada para 25 de outubro, quando Lula disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).
A principal medida é a proposta de remissão integral das dívidas de aproximadamente 3,6 milhões de MEIs inscritos na dívida ativa da União. Segundo o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, os débitos acumulados somam R$ 12,6 bilhões. A iniciativa, no entanto, ainda depende da aprovação de um projeto de lei complementar pelo Congresso Nacional, com previsão de implementação a partir de 2027.
O pacote também inclui o Desenrola 3.0, voltado à renegociação de dívidas bancárias dos microempreendedores. A proposta prevê que o governo compre carteiras de débitos da categoria, estimadas em cerca de R$ 6 bilhões, para viabilizar descontos de pelo menos 90%, conforme as condições anunciadas pelo Executivo.
Outra iniciativa apresentada foi o Pix MEI, que prevê a concessão de até R$ 5 mil por beneficiário para investimentos nos próprios negócios. O governo também voltou a defender o aumento do limite anual de faturamento da categoria, atualmente em R$ 81 mil. A proposta em tramitação no Congresso prevê elevar o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois funcionários.
O quinto eixo anunciado envolve a dispensa da emissão de notas fiscais por MEIs em vendas de produtos e prestação de serviços para pessoas físicas. A medida também prevê dispensar os chamados nanoempreendedores, com faturamento anual de até R$ 40,5 mil, da obrigação de emitir notas fiscais e abrir CNPJ, conforme as regras apresentadas pelo governo.
A proximidade do anúncio com a eleição chama atenção. O pacote foi apresentado em um momento em que Lula tenta ampliar o apoio entre pequenos empreendedores, segmento apontado por integrantes do próprio governo como um desafio eleitoral para o presidente. A iniciativa reúne propostas com potencial de impacto financeiro direto sobre milhões de trabalhadores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para manter os negócios e quitar dívidas.
O calendário também levanta questionamentos sobre o uso político de anúncios econômicos em períodos eleitorais. Medidas de alívio financeiro podem responder a problemas concretos enfrentados pelos empreendedores, mas a divulgação tão próxima da votação inevitavelmente coloca em debate o momento escolhido pelo governo e o impacto que iniciativas desse tipo podem ter na disputa presidencial.
É importante, porém, diferenciar anúncio de benefício efetivamente concedido. O perdão das dívidas depende de aprovação legislativa, assim como a mudança do teto de faturamento. Outras iniciativas ainda precisam ter suas regras e condições detalhadas. Portanto, os valores anunciados não significam que todos os recursos ou descontos já estejam disponíveis aos empreendedores.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o Prospera MEI passa a integrar o conjunto de medidas econômicas apresentadas pelo governo na reta final da campanha. A discussão envolve tanto os possíveis efeitos para os pequenos negócios quanto a escolha de anunciar mudanças de grande alcance a poucos dias da decisão nas urnas.
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