Notícias
Bahia
Redes sociais ultrapassam TV como principal fonte de informação política entre baianos, aponta Quaest

Redes sociais ultrapassam TV como principal fonte de informação política entre baianos, aponta Quaest

Pesquisa mostra inversão no comportamento do eleitorado em quatro anos; redes passaram de 22% para 38%, enquanto televisão caiu de 56% para 34%

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As redes sociais ultrapassaram a televisão como principal fonte de informação sobre política entre os baianos, segundo levantamento do instituto Quaest contratado pela Rede Bahia. Os dados mostram uma mudança significativa no comportamento do eleitorado em apenas quatro anos.

Em 2022, 56% dos entrevistados apontavam a televisão como principal meio para acompanhar assuntos políticos, enquanto 22% citavam as redes sociais. Na pesquisa divulgada em agosto de 2026, os números se inverteram: 38% passaram a apontar as plataformas digitais como principal fonte de informação, contra 34% que ainda recorrem à televisão.

Na comparação entre os dois levantamentos, as redes sociais avançaram 16 pontos percentuais, enquanto a televisão recuou 22 pontos.

Mudança no consumo de informação

Para Rodrigo Carreiro, codiretor executivo do Aláfia Lab e pesquisador associado do INCT DD, a transformação acompanha uma tendência observada no Nordeste, região onde, segundo ele, as redes sociais têm papel particularmente relevante na busca por informações políticas.

O pesquisador relaciona a mudança, entre outros fatores, à diferença geracional no consumo de mídia e à variedade de conteúdos disponíveis nas plataformas digitais.

Instagram, TikTok e outras redes passaram a reunir, no mesmo ambiente, publicações de veículos de imprensa, jornalistas independentes, candidatos, influenciadores, celebridades e perfis de entretenimento.

Para Carreiro, um dos desafios desse novo cenário é justamente identificar a origem e a natureza das informações que circulam nas plataformas.

TV ainda mantém presença

Apesar da queda na preferência como principal fonte de informação política, a televisão continua tendo forte presença entre os baianos.

Dados citados no levantamento apontam que cerca de 8% dos baianos que assistem à TV desligam o aparelho durante o horário eleitoral. Ainda assim, a estimativa é de que mais de 1,5 milhão de pessoas acompanhem a propaganda eleitoral em Salvador.

O professor de Comunicação Política da PUC-RJ, Arthur Ituassu, avalia que a mudança não representa necessariamente o desaparecimento dos meios tradicionais. Para ele, os diferentes canais passaram a funcionar de maneira complementar, em um ambiente no qual a informação política está mais dispersa.

Portais e aplicativos aparecem atrás

Outros meios têm menor participação na preferência dos entrevistados. Sites, blogs e portais de notícias são apontados por 6% como principal fonte de informação política.

Amigos, familiares e conhecidos aparecem com 4%, mesmo percentual registrado por WhatsApp e Telegram. O rádio soma 3%, enquanto os jornais impressos chegam a 2%.

A pesquisa também mediu, pela primeira vez, o uso de ferramentas de inteligência artificial para obter informações políticas. Entre os entrevistados, 1% disseram utilizar chats de IA como principal fonte.

Por outro lado, 8% afirmaram não se informar sobre política.

Jornalismo continua presente nas redes

A ascensão das redes sociais não significa, necessariamente, perda de espaço para o jornalismo profissional. Outro levantamento, realizado pelo Datafolha e divulgado em setembro, indica que conteúdos de veículos jornalísticos continuam entre os mais vistos por eleitores que possuem contas em redes sociais.

Entre os entrevistados com perfis em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Kwai, 57% afirmaram ter visto conteúdos sobre as eleições de 2026 nas últimas semanas.

Dentro desse grupo, 75% disseram ter visto publicações de veículos jornalísticos e 71% de jornalistas. Na sequência aparecem conteúdos de candidatos, com 69%; amigos ou familiares, com 65%; influenciadores, com 61%; e grupos de WhatsApp ou Telegram, com 47%.

Metodologia

O levantamento da Quaest, contratado pela Rede Bahia, ouviu 900 pessoas entre os dias 23 e 26 de agosto de 2026.

A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BA-06206/2026 e BR-08870/2026.

Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.

Tags

Notícias Relacionadas