Especialista aponta relação entre violência contra animais e comportamentos perigosos
Especialista afirma que caso investigado pela Polícia Civil expõe mercado clandestino internacional e acende alerta para riscos à segurança pública

Foto: Bruno Oliveira
A psiquiatra Ana Beatriz se manifestou sobre a prisão de Daiana Schuinsekel de Almeida, suspeita de produzir e comercializar vídeos de extrema violência contra animais para clientes no exterior. Em publicação nas redes sociais, a especialista afirmou que o caso vai além dos maus-tratos e evidencia um problema que envolve saúde mental, segurança pública e um mercado clandestino internacional conhecido como "animal crush".
Segundo Ana Beatriz, a prisão da suspeita revelou a existência de uma estrutura organizada de produção e venda de conteúdos violentos contra animais. "Isso não é caso isolado. É um mercado pornográfico organizado, com plataforma, preço tabelado e cliente recorrente", afirmou.
De acordo com a psiquiatra, investigações apontam que os vídeos eram comercializados para compradores estrangeiros por valores entre 20 e 50 euros. Ela destacou que o Brasil tem sido utilizado como fornecedor de material para esse tipo de conteúdo ilícito.
A especialista também citou estudos da psiquiatria forense que relacionam a crueldade sistemática contra animais ao aumento do risco de comportamentos violentos contra pessoas. Ana Beatriz mencionou a chamada Tríade de Macdonald, teoria desenvolvida na década de 1960 pelo psiquiatra John Marshall Macdonald, que identificou padrões comportamentais observados em indivíduos com histórico de violência grave.
"O que a literatura científica mostra é que existe uma associação estatística importante entre crueldade contínua e sistemática contra animais e risco aumentado de violência interpessoal depois", explicou.
Na legenda da publicação, Ana Beatriz reforçou que o diagnóstico de possíveis transtornos mentais não elimina a responsabilidade criminal pelos atos praticados.
"O diagnóstico pode até explicar o comportamento, mas não perdoa um crime que foi friamente planejado, tabelado e lucrativo", escreveu.
A psiquiatra também chamou atenção para a responsabilização dos consumidores desse tipo de conteúdo, apontando que a demanda internacional é o principal fator que sustenta o mercado clandestino.
"O que mantém esse comércio de pé é o comprador. É o dinheiro vindo de fora que sustenta essa crueldade. Se a nossa lei continuar olhando apenas para quem pisa, esquecendo de quem aperta o botão de comprar, prender a produtora será sempre enxugar gelo", afirmou.
Ao final da publicação, Ana Beatriz incentivou a população a denunciar qualquer suspeita de maus-tratos contra animais às autoridades competentes, como Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e delegacias especializadas.
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