Vorcaro cita ACM Neto em proposta de delação; candidato reage e chama caso de “crime eleitoral”
Em proposta de delação não aceita pela PF e pela PGR, ex-banqueiro afirma que dirigentes do União Brasil teriam intermediado aportes de recursos públicos no banco

Foto: Divulgação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, acusou o candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), e o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, de terem recebido comissões relacionadas à captação de recursos públicos para o banco. As acusações constam de uma proposta de delação premiada que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo informações da coluna de Cezar Feitoza, do UOL, Vorcaro afirmou que os dois dirigentes partidários teriam intermediado aportes de institutos de previdência no Banco Master e cobrado comissões de 10% sobre os valores. De acordo com o relato, a operação teria envolvido cerca de R$ 2 bilhões em recursos públicos e gerado uma suposta obrigação de até R$ 200 milhões com os dois políticos.
Vorcaro também citou articulações envolvendo institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).
A proposta de delação, no entanto, não detalha quanto teria sido efetivamente pago a ACM Neto e Rueda. O UOL informou ainda que Vorcaro apresentou mensagens e contratos como elementos para sustentar as acusações, mas o acordo não foi aceito pelas autoridades.
Pagamentos já registrados
A relação financeira entre o Banco Master e empresas ligadas aos dois dirigentes já havia aparecido em documentos anteriores.
Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontaram que o Master pagou R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios ligados a Antônio Rueda. No caso de ACM Neto, a A&M Consultoria, empresa da qual ele é sócio, recebeu R$ 5,45 milhões do banco entre 2023 e 2025, segundo documentos citados pela Folha.
Antes disso, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia apontado R$ 3,6 milhões em pagamentos do Banco Master e da gestora Reag à empresa de ACM Neto entre 2023 e 2024. O ex-prefeito de Salvador confirmou a existência dos contratos e afirmou que os serviços de consultoria foram prestados de forma regular.
ACM Neto reage
ACM Neto reagiu às acusações e classificou o conteúdo da proposta de delação como falso. Durante entrevista, o candidato afirmou que deixaria a disputa eleitoral caso as acusações fossem verdadeiras.
Questionado sobre a possibilidade de renunciar à candidatura caso o relato de Vorcaro procedesse, ACM Neto respondeu: “Claro, na hora”, assegurou à Bahia FM.
Em outra declaração, o candidato afirmou que a divulgação do documento representaria uma tentativa de prejudicá-lo eleitoralmente.
“Um crime eleitoral que está sendo cometido. De repente, surge uma matéria que faz referência a uma suposta delação que supostamente não foi aceita. A PGR não identificou elementos concretos”, declarou.
Rueda também negou as acusações e afirmou ter “dificuldade em se pronunciar sobre documento ao qual não teve acesso”.
O que está confirmado
Apesar das acusações feitas por Vorcaro, não há, até o momento, confirmação de que ACM Neto ou Rueda tenham recebido as supostas comissões de 10% mencionadas na proposta de delação.
O que já foi documentado são os pagamentos realizados pelo Banco Master a empresas ligadas aos dois políticos, todos apresentados por eles como decorrentes de contratos de prestação de serviços. A proposta de delação acrescenta novas acusações sobre a origem e a finalidade desses pagamentos, mas o acordo não foi homologado e os valores efetivamente recebidos a título de comissão não foram especificados.
O caso ocorre em meio à disputa pelo Governo da Bahia, na qual ACM Neto aparece em cenário de forte equilíbrio com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), aumentando o peso político das novas acusações no cenário eleitoral baiano.
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