Michel Temer declara apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e fala em “mudança”
Ex-presidente contrariou decisão de neutralidade do MDB e associou candidatura do senador a uma “reconexão” com a sociedade

Foto: Wikipédia/Vittor Sales
O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou nesta segunda-feira (5) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorre apesar da decisão do MDB de manter neutralidade na disputa nacional.
Em uma declaração publicada nas redes sociais, Temer afirmou que o resultado do primeiro turno demonstrou, na avaliação dele, um desejo de mudança por parte dos eleitores. Flávio terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro.
“As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito. Com os demais, deu-se a renovação”, afirmou Temer.
O ex-presidente também citou a renovação na composição do Congresso e o desempenho de Flávio na eleição presidencial. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio”, declarou.
A posição de Temer também ocorre em um contexto de rompimento político com o PT. Ele era vice-presidente de Dilma Rousseff e assumiu a Presidência em 2016 após o processo de impeachment. Desde então, passou a ser chamado de “golpista” por integrantes do partido. Em entrevista após o anúncio do apoio, Temer voltou a comentar o incômodo com a expressão.
Outro ponto que aproxima a declaração do atual cenário político é a relação de Temer com Alexandre de Moraes. Quando estava na Presidência, em 2017, Temer indicou Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Atualmente, o ministro é relator de processos envolvendo Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e alvo de críticas do senador.
Com o apoio, Temer se posiciona individualmente na disputa, enquanto o MDB ainda mantém a decisão de não apoiar oficialmente nenhum dos dois candidatos no segundo turno.
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