Jerônimo e governadores do Nordeste rebatem falas de Zema sobre apoio federal à região
Em nota conjunta, gestores chamam declarações do mineiro de “narrativa falaciosa” e “insulto”

Foto: Reprodução / Gov-Ba
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), assinou junto a outros nove governadores do Nordeste uma nota de repúdio contra as declarações de Romeu Zema (Novo), chefe do Executivo de Minas Gerais. O posicionamento foi divulgado na sexta-feira (29) e classifica as falas do mineiro como uma “narrativa falaciosa” que “insulta os cidadãos nordestinos”.
Na quinta-feira (28), em entrevista ao Metrópoles, Zema afirmou “ser contra” o que chamou de “ajuda eterna” do governo federal ao Nordeste.
“Precisa ter o tempo de sanar essa situação. E o que existe no Brasil? Uma ajuda eterna e que não acaba nunca. Aí eu sou contra”, disse o governador mineiro.
Resposta dos governadores
Na manifestação conjunta, os gestores nordestinos defenderam que os avanços da região são resultado de uma presença mais sólida do Estado nacional, especialmente nas últimas décadas:
"Apenas nas últimas décadas, com a expansão do sistema universitário federal e do investimento em pesquisa, a juventude nordestina começou a colher os frutos de uma presença mais consistente do Estado nacional, alcançando projeções positivas em ciência, cultura e economia", afirma o texto.
O documento também ressalta que políticas de desenvolvimento regional não devem ser tratadas como favores, mas como obrigação constitucional:
“O que está em jogo é a própria compreensão de desenvolvimento. Historicamente, setores do Sudeste resistem a discutir mecanismos de desenvolvimento regional, tratando-os como concessões indevidas. Mas não se trata de concessão: trata-se de justiça histórica e de cumprimento da Constituição, que reconhece a obrigação do Estado de corrigir desigualdades estruturais entre regiões”.
Contexto histórico
Na nota, os governadores lembraram episódios da história do país para contextualizar as desigualdades: desde a concentração de riquezas em Minas Gerais no ciclo do ouro, passando pela centralização política no Rio de Janeiro e pela política do “café com leite” na República Velha, até os ciclos industriais do século 20, que favoreceram o Sudeste.
Enquanto isso, argumentam, o Nordeste enfrentou “migrações forçadas, desestruturação agrária e políticas emergenciais diante da seca”.
Resposta de Zema
Procurado pelo UOL, Romeu Zema afirmou que suas falas foram alvo de distorções promovidas por adversários políticos.
“A elite política do Nordeste foi mobilizada por Lula e pelo PT para me atacar com falsidades”, disse.
Em seguida, reforçou as críticas:
“[O povo nordestino] há décadas, para não dizer séculos, é mantido no subdesenvolvimento por oligarquias que se perpetuam no poder, por políticos que enriquecem à custa da pobreza da população”.
E acrescentou:
“Enquanto o Brasil não se libertar do modelo fracassado imposto pelo PT, jamais alcançará o nível das nações do primeiro mundo e continuaremos assistindo à vergonhosa emigração de milhões de brasileiros para o exterior, fugindo da pobreza e da violência".