NotíciasPolíticaEduardo diz que ficará “na cola” de diplomatas que teriam “sabotado” governo do pai em eventual eleição de Flávio

Eduardo diz que ficará “na cola” de diplomatas que teriam “sabotado” governo do pai em eventual eleição de Flávio

Declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais

| Autor: Redação - Varela Net
Eduardo diz que ficará “na cola” de diplomatas que teriam “sabotado” governo do pai em eventual eleição de Flávio

Foto: Zeca Ribeiro/CâmaradosDeputados

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira, que pretende acompanhar de perto diplomatas que, segundo ele, teriam atuado para “sabotar” o governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais. De acordo com Eduardo, a medida seria adotada caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito presidente da República.

No vídeo, Eduardo afirmou ter feito um levantamento sobre embaixadores e servidores do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e disse que pretende promover mudanças na estrutura do Itamaraty.

Entre os episódios citados pelo ex-deputado está um áudio atribuído à lobista Roberta Luchsinger, no qual ela estaria conversando com o então embaixador do Brasil na Espanha sobre a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para Madri. Segundo Eduardo, a gravação indicaria que a representação diplomática brasileira teria auxiliado na organização da chegada do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Espanha.

Após reproduzir o áudio, Eduardo comparou o tratamento atribuído ao filho de Lula com a situação de brasileiros que deixaram o país após os atos de 8 de janeiro de 2023.

“O embaixador (do Brasil) na Espanha estava ajeitando a casa para ver os gostos do Lulinha para recebê-lo na Espanha, depois do Lulinha fugir da justiça brasileira, porque ele estava sendo investigado pelo sumiço de R$ 6 bilhões que o governo do PT, essa quadrilha que voltou à cena do crime, roubou de aposentados e pensionistas do INSS. O pessoal do 8 de Janeiro, que teve que sair às pressas, chegando na Argentina com uma mão na frente e outra atrás, fugindo de uma perseguição, uma cadeia injusta que o Moraes queria colocar em cima delas. Essas pessoas não tiveram a recepção do embaixador”, afirma Eduardo no vídeo.

A declaração é direcionada ao diplomata Orlando Leite Ribeiro, que atuou como embaixador do Brasil na Espanha e atualmente está na República Tcheca.

Eduardo afirmou que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o diplomata estaria entre os primeiros a deixar o posto.

“É por isso que, Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente, um dos primeiros a saírem do posto será o embaixador do Brasil na Espanha. Para dar o exemplo de que isso aí não acontecerá.”

Levantamento sobre diplomatas

Ainda durante o vídeo, Eduardo afirmou que acompanha a movimentação de diplomatas desde a transição entre os governos Jair Bolsonaro e Lula. Segundo ele, o levantamento inclui mudanças de postos e transferências realizadas no período.

“E digo mais, eu tive o trabalho pessoal de mapear todos os embaixadores e diplomatas do MRE. Quem saiu de tal posto, foi para outro país. Quem o Lula, logo no começo da transição, pediu para que arrumassem as malas às pressas, dando uma semana de prazo para certos embaixadores saírem de determinados países e retornarem para o Brasil. Pouco se importando se eles têm filhos em escolas no exterior, ou como estaria a vida deles.”

Segundo Eduardo, o objetivo seria evitar que integrantes do Itamaraty que, na avaliação dele, teriam atuado contra o governo de seu pai voltassem a adotar a mesma postura em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro.

“Então, meu caro servidor do Itamaraty, que ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade porque eu vou estar na sua cola. Se você não fez isso, parabéns. Você fará parte do time que irá resgatar a credibilidade do Itamaraty. Que vai virar a página de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo Brasileiro”, afirmou.

Reportagem de Jamil Chade

As declarações de Eduardo também fazem referência a reportagens do jornalista Jamil Chade sobre a atuação de diplomatas durante o governo Jair Bolsonaro.

Em dezembro de 2022, Chade publicou reportagem no UOL sobre uma suposta rede de resistência formada dentro do Itamaraty. Segundo relatos obtidos pelo jornalista com diplomatas e servidores, integrantes da chancelaria teriam adotado medidas para reduzir crises diplomáticas e preservar a credibilidade do Brasil diante de determinadas orientações do governo Bolsonaro.

Entre as práticas relatadas estavam contatos reservados com representantes de governos estrangeiros, circulação de informações e redução do ritmo de implementação de algumas orientações determinadas pela cúpula do governo.

Em outra reportagem, publicada em fevereiro de 2024, Chade relatou que diplomatas brasileiros teriam atuado nos bastidores durante o período eleitoral de 2022 em questões relacionadas às urnas eletrônicas, à presença de observadores internacionais e a uma reunião de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros.

As reportagens citadas descrevem ações atribuídas a grupos de diplomatas e não comprovam, por si só, que todos os servidores ou embaixadores mencionados por Eduardo tenham participado dessas iniciativas.

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