Pastor Márcio Poncio é preso em nova fase de operação da PF por suspeita de ligação com a ‘Máfia do Cigarro’
Ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Foto: Reprodução/Instagram
O pastor Marcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. A ação também tinha mandados de prisão expedidos contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já encarcerados.
As ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou três mandados de prisão e outras 14 ordens de busca e apreensão. A prisão de Poncio ocorreu em um flat localizado na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Segundo informações do g1, Marcio Poncio é investigado por possíveis conexões com a “Máfia do Cigarro”, enquanto Adilsinho é apontado como o principal líder do esquema.
De acordo com a Polícia Federal, esta fase da operação “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
Adilson Oliveira Coutinho Filho e Rodrigo Bacellar já estavam presos. O ex-deputado deve ser transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.
Além das prisões, o ministro Alexandre de Moraes determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a até R$ 22 milhões.
A operação está inserida no contexto da decisão do STF no âmbito da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação de grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas possíveis conexões com agentes públicos.
Origem da Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 e já passou por outras quatro fases até maio de 2026. Inicialmente, o foco era investigar um suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho.
Segundo a Polícia Federal, o compartilhamento dessas informações teria prejudicado ações policiais e beneficiado investigados ligados à facção. O caso passou a integrar o contexto da ADPF 635, que trata de políticas de segurança pública no Rio.
Primeiras fases e desdobramentos
A primeira fase, em dezembro de 2025, teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que atualmente está cassado e preso. Ele é investigado por supostamente ter vazado informações da Operação Zargun, realizada em setembro contra o Comando Vermelho.
De acordo com as apurações, o principal beneficiado pelo vazamento teria sido o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos (TH Joias), apontado pela Polícia Federal como articulador político da facção e preso durante a Operação Zargun. As investigações indicam que o vazamento teria permitido a destruição ou ocultação de provas.
Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois após decisão do plenário da Alerj, permanecendo sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Ainda em dezembro de 2025, a segunda fase da operação avançou sobre a origem dos vazamentos e resultou na prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
A Polícia Federal suspeita que as informações sigilosas tenham sido repassadas dentro do próprio Judiciário federal. Os investigadores apontam que o magistrado teria compartilhado os dados com Bacellar, que posteriormente os teria repassado a TH Joias.
Mensagens, registros telefônicos e outros elementos reunidos ao longo da investigação indicariam, segundo a PF, uma relação próxima entre o desembargador e o então deputado, sugerindo possível troca de favores.
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