ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro é alvo de operação da Polícia Civil
Investigação apura suspeitas de fraude em contrato do programa WiFi Livre SP e possível desvio de recursos públicos para financiar produção cinematográfica

Foto: Divulgação/Governo de SP
Na manhã desta segunda-feira (1º), a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação WiFi contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de propriedade de Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltda., responsável pelo filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação foi motivada por suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões. Segundo as investigações, aditivos contratuais elevaram os repasses à ONG para R$ 157,1 milhões. De acordo com as autoridades, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a efetiva prestação dos serviços contratados.
A polícia apura possíveis crimes de fraude à licitação, fraude na execução contratual e desvio de recursos públicos.
A ONG, a produtora, dois endereços residenciais de Karina Ferreira da Gama e a sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia estão entre os alvos da operação, que cumpre oito mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Regional de Garantias (1ª RAJ).
A Polícia Civil também solicitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações financeiras realizadas pelo ICB, pela Go UP e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a possibilidade de que parte dos recursos públicos tenha sido direcionada à produtora durante o período de produção do filme Dark Horse.
A obra teve mais de 90% do orçamento financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) em um dos celulares do empresário, o financiamento teria sido tratado com o senador Flávio Bolsonaro mesmo após a prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025, no âmbito de investigações sobre supostas fraudes financeiras.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”, escreveu o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2ª DICCA, em ofício encaminhado à 1ª RAJ.
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