Coronel Sturaro comenta delação de ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis
Durante a gravação, Sturaro classificou a ex-diretora como uma peça secundária dentro do suposto esquema

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Na última segunda-feira (20), o coronel Sturaro utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo comentando a delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, firmada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA). O acordo de colaboração aponta um suposto esquema envolvendo o ex-deputado federal Uldurico Júnior e integrantes de uma organização criminosa com atuação no extremo sul do estado.
Durante a gravação, Sturaro classificou a ex-diretora como uma peça secundária dentro do suposto esquema, afirmando que ela seria apenas um "pau mandado", além de fazer outras declarações sobre o caso. Ele disse:
"Quando me perguntaram, eu vou deixar logo aqui o que eu achava dessa situação. Primeiro, ela, com todo respeito à palavra, é apenas um pau mandado, entendeu? Aceitou fazer o jogo, deu uma entender, sabe, pelo cargo, pelas vantagens, por achar que tá protegida politicamente, aceitou fazer o jogo. Os maiores castigos que eu acho que ela poderia ter foi ter o filho dentro de um presídio. Isso é muito difícil. A delação dela é extremamente perigosa. Não vou falar de política que está envolvido no ABC, sabe? Política, política. A delação dela é extremamente perigosa porque está envolvendo a facção mais escrota, que no respeito do morador da comunidade."
Na sequência do vídeo, Sturaro amplia suas declarações ao comentar o impacto da delação e a atuação das forças de segurança no estado. Ele aponta riscos relacionados às pessoas envolvidas e defende a atuação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, além de fazer avaliações sobre comandantes e operações policiais. Segundo ele:
"então quem está envolvido com essa facção não tem preço, a vida dela está perigosa, a vida dos envolvidos está mais caro de perder o seu preço e para mim, aqui ó, bem reto, essa apurz\ação, essas prisões, mostra maior independência da Secretaria de Segurança Pública do nosso estado, porque, né, poderia ter chegado um recado para acochambrar, né, nada, Sturaro você como governador hoje, o que que você muda na SSP, governador hoje Sturaro. Não mudo nada. O secretário trabalha pra cacete, tá sabendo muito. Sabe, Comandante Geral, a tropa tá sangrando aí. Sangrando porque ele motiva a tropa. Tá vendo o guarnição aí, pô, como aconteceu? Três horas da manhã, os caras lá dentro da biqueira, porque ele é exemplo. Ok? Com todo o respeito do Dr. Madarin, eu critiquei muito. O antigo Comandante Geral, critiquei demais. Então, porra, mas esses não merecem minha crítica, merecem meu apreço, minha continência. O delegado chefe, Jorge, o que a PC tá fazendo, não mudo nada. Deixo andar e procuro saber na mesa o que tá faltando, o que faltou. E aí depois, se quiserem sair e tal, mas com a independência aí. Cuidado, essa menina tá."
De acordo com a investigação e com a delação premiada, Joneuma Silva Neres afirmou ao MP-BA que facilitou a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB).
No depoimento, ela reconheceu que tinha conhecimento da articulação e do plano de fuga, assumindo ter agido com negligência. Também confirmou que foi nomeada diretora da unidade por indicação de Uldurico Júnior, com quem afirmou ter mantido um relacionamento amoroso.
A ex-diretora relatou ainda ao Ministério Público que conheceu o ex-deputado quando trabalhava na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, onde exercia função administrativa. Segundo ela, Uldurico já havia indicado outros gestores para unidades prisionais.
Ainda conforme seu relato, o político realizava visitas frequentes a presídios e conversava com internos, por vezes acompanhado de vereadores e outras pessoas. Essas conversas, segundo Joneuma, ocorriam "de portas fechadas" e eram tratadas como "normal".
Joneuma foi nomeada diretora do Conjunto Penal de Eunápolis em 14 de março de 2024. Ela afirmou que, no dia seguinte, Uldurico esteve na unidade acompanhado de diversas pessoas, entre elas o então candidato a vereador Alberto Cley Santos Lima, conhecido como Cley da Auto Escola, à época filiado ao PSD.
A delatora também disse que o ex-deputado solicitou uma conversa com líderes de facções presos na unidade, pedido que teria sido atendido após ela se sentir pressionada.
Segundo o relato, cerca de uma semana depois, Uldurico retornou ao presídio com o mesmo grupo e repetiu os encontros com os internos. Entre eles estavam "Ednaldo", conhecido como Dada, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE); "Sirlon", o Saguin, identificado como sub-líder; além de "Luquinhas", "Juan Pablo" e "Cascão", citados como representantes de alas da organização criminosa.
Joneuma também confessou, conforme o MP-BA, que autorizou regalias aos internos a pedido do ex-deputado, incluindo cardápio especial e a disponibilização de um freezer dentro da unidade prisional.
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