O que esperar do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
Após resultado apertado no primeiro turno, candidatos aceleram alianças, mudam estratégias e miram novos eleitores até 25 de outubro

Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales
A disputa pela Presidência da República entrou em uma nova fase depois de um primeiro turno que mudou o cenário da eleição. Flávio Bolsonaro (PL) terminou na frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista. A diferença de 1,87 ponto percentual surpreendeu parte dos apoiadores de Lula e fez as duas campanhas acelerarem as estratégias para as próximas semanas.
O primeiro movimento foi político. Flávio começou o segundo turno recebendo uma sequência de apoios de candidatos derrotados e partidos. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio ao senador, enquanto a federação formada por União Brasil e Progressistas e o próprio Novo oficializaram apoio nesta semana. O Republicanos também está em negociação com a campanha.
Na Bahia, o cenário também começou a se movimentar. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), participou da articulação que confirmou o apoio da federação a Flávio. Nesta quarta-feira (7), ACM Neto anunciou oficialmente que também estará na campanha do candidato do PL e afirmou que pretende mobilizar prefeitos aliados, deputados federais eleitos e integrantes do seu grupo político no estado.
A movimentação ganha importância porque a Bahia foi um dos estados onde Lula conseguiu uma vantagem expressiva no primeiro turno. O petista venceu no Nordeste com 63,8% dos votos válidos, enquanto Flávio teve 30,9%. Agora, a campanha do candidato do PL tenta reduzir essa diferença, enquanto o grupo de Lula busca preservar sua vantagem na região.
Do outro lado, Lula começou a reorganizar principalmente a comunicação. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio, a campanha passou a dar mais atenção às redes sociais e a figuras mais novas, com grande alcance digital. Um dos nomes que ganhou espaço é Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, eleita deputada federal com 524 mil votos e considerada a deputada mais jovem já eleita para a Câmara.
Ana Elisa ganhou destaque justamente por uma campanha concentrada na internet e, após o resultado, cobrou mudanças na forma como a esquerda se comunica nas redes. Ela participou de reuniões com integrantes da campanha de Lula para discutir uma nova estratégia digital. O deputado André Janones também ampliou sua mobilização nas redes e seu canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, já ultrapassou 1 milhão de participantes.
A tentativa do PT é alcançar principalmente eleitores que não compareceram às urnas e aqueles que votaram em candidatos derrotados. A abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno, o equivalente a cerca de 33,4 milhões de eleitores. Com uma diferença inferior a dois pontos percentuais entre Lula e Flávio, esse grupo passa a ser observado pelas duas campanhas.
Além da disputa por novos votos, os candidatos começam a apresentar com mais clareza os temas que devem dominar a campanha. Flávio tem concentrado seus discursos em segurança pública, redução da maioridade penal, mudanças no Judiciário e alterações na Constituição. Nesta quarta-feira (7), afirmou que pretende usar PECs para avançar em propostas como a reforma do Judiciário, o fim da reeleição e a redução da maioridade penal.
Lula, por sua vez, deve tentar transformar a campanha em uma disputa mais próxima do eleitor, com maior presença digital e participação de lideranças que conseguiram grande alcance nas redes. A proposta de fim da escala 6x1 também ganhou espaço na comunicação do petista e já virou alvo de críticas de Flávio.
Outro momento importante começa nesta sexta-feira (9), quando retorna a propaganda eleitoral gratuita. No segundo turno, Lula e Flávio terão exatamente o mesmo tempo no rádio e na televisão, além de divisão igual das inserções. O espaço seguirá até 23 de outubro, dois dias antes da votação.
Até 25 de outubro, a disputa deve ser marcada por duas corridas paralelas: Flávio tentando transformar a vantagem do primeiro turno e os novos apoios políticos em mais votos, enquanto Lula busca recuperar espaço com uma nova estratégia de comunicação, mobilização no Nordeste e aproximação com eleitores que ainda não definiram seu voto. O primeiro turno já mostrou que a diferença entre os dois é pequena. Agora, cada região, apoio e grupo de eleitores passa a ter ainda mais peso na reta final.
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