O legado de Neymar depende da Copa de 2026?
Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, Neymar chega ao que pode ser seu último Mundial cercado por expectativas, dúvidas e a chance de redefinir como será lembrado pelas futuras gerações do futebol brasileiro.

Foto: Vitor Silva/CBF
Quando o técnico Carlo Ancelotti divulgou sua primeira convocação visando a Copa do Mundo de 2026, um nome voltou a ocupar o centro das atenções: Neymar. Aos 34 anos, depois de uma carreira marcada por recordes, lesões, títulos e polêmicas, o camisa 10 segue sendo o principal personagem da Seleção Brasileira quando o assunto é Copa do Mundo.
O momento também coincide com uma fase de renovação da Seleção Brasileira. Jogadores como Vinícius Júnior já assumiram papel de protagonismo no futebol mundial, enquanto jovens promessas como Endrick e Rayan surgem como representantes da próxima geração da equipe nacional. Ainda assim, quando o assunto é Copa do Mundo, nenhum nome gera tanta expectativa, debate e repercussão quanto Neymar. Mais de uma década após sua estreia pela Seleção principal, o camisa 10 continua sendo visto por muitos torcedores como a principal esperança para encerrar o jejum brasileiro em Mundiais.
A trajetória de Neymar com a camisa amarela é marcada por contrastes. Surgiu como a grande promessa do futebol brasileiro ainda no Santos Futebol Clube, encantou o país com dribles e gols, tornou-se protagonista da Seleção e alcançou números históricos. Em 2023, superou Pelé e se tornou o maior artilheiro da história da equipe nacional. Ao mesmo tempo, viu sua carreira ser acompanhada por cobranças que poucos jogadores enfrentaram na mesma intensidade.
A relação entre Neymar e o torcedor brasileiro talvez seja uma das mais complexas da história recente do esporte nacional. Em determinados momentos, ele foi tratado como herói e símbolo de uma geração. Em outros, virou alvo de críticas por seu comportamento dentro e fora de campo, pelas lesões em momentos decisivos e pela ausência do título mundial. Entre a idolatria e a rejeição, o atacante se transformou em um personagem capaz de dividir opiniões como nenhum outro atleta brasileiro da atualidade.
O retorno ao Santos, em 2025, ajudou a reacender uma conexão emocional que parecia desgastada. Ao vestir novamente a camisa do clube onde iniciou a carreira profissional, Neymar resgatou lembranças de uma fase em que era visto apenas como um jovem talento destinado a conquistar o mundo. Para parte da torcida, a volta representou uma oportunidade de reencontro com aquele jogador que encantou o país antes das grandes transferências, das lesões e das controvérsias.
Agora, com a chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção, surge uma nova expectativa. Conhecido por administrar grandes estrelas e construir ambientes vencedores, o treinador italiano terá a missão de extrair o melhor de um elenco talentoso e, ao mesmo tempo, administrar o que pode ser o último grande capítulo da trajetória de Neymar com a camisa do Brasil.
A confiança do treinador italiano em Neymar ficou evidente logo nos primeiros dias de trabalho. Convocado para o início da preparação da Seleção, o atacante chegou à Granja Comary ainda em processo de recuperação de uma lesão na panturrilha sofrida atuando pelo Santos. Mesmo após a confirmação do problema físico, Ancelotti deixou claro que não pretende cortar o camisa 10 da equipe. A decisão foi interpretada como um sinal da importância que o treinador atribui ao jogador dentro do projeto para a Copa do Mundo. Mais do que um atleta experiente, Neymar segue sendo visto como uma peça central na construção da identidade da Seleção Brasileira para 2026.
A escolha também reforça uma percepção que acompanha a Seleção há mais de uma década: independentemente do momento vivido por Neymar, as expectativas do Brasil continuam passando por ele.
É justamente por isso que a Copa de 2026 ganha um peso diferente. Para muitos jogadores, um Mundial representa apenas mais uma oportunidade de conquistar um título. Para Neymar, pode significar algo maior: a definição de seu lugar na história do futebol brasileiro.
Caso conquiste o tão sonhado hexa, o camisa 10 encerrará a principal discussão que acompanha sua carreira desde a juventude. Passará a integrar de forma definitiva o grupo de protagonistas das maiores conquistas da Seleção e provavelmente verá muitas das críticas perderem força diante do feito histórico.
Por outro lado, caso o título não venha, o debate permanecerá aberto. Seus números, sua influência e seu talento continuarão incontestáveis, mas a ausência de uma Copa do Mundo seguirá sendo apontada como a principal lacuna de uma trajetória que parecia destinada a conquistar tudo.
Talvez seja injusto reduzir uma carreira tão extensa a uma única competição. Mas a história do futebol brasileiro sempre teve uma relação especial com a Copa do Mundo. E é justamente por isso que, às vésperas de 2026, a pergunta continua inevitável: o legado de Neymar depende da Copa? A resposta definitiva só começará a ser escrita quando a bola rolar no próximo Mundial.
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