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Muito além dos 27 anos de prisão: entenda por que o mundo dedica 67 minutos a Nelson Mandela

Data criada pela ONU homenageia o líder sul-africano e convida pessoas de todo o planeta a transformarem solidariedade em ação

| Autor: Beatriz Dias
Muito além dos 27 anos de prisão: entenda por que o mundo dedica 67 minutos a Nelson Mandela

Foto: Divulgação/Wikimedia Commons

Neste 18 de julho, o mundo celebra o Dia Internacional de Nelson Mandela, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para homenagear um dos maiores símbolos da luta pelos direitos humanos e contra a desigualdade racial.

Ao contrário do que muitos imaginam, a data não tem como objetivo apenas relembrar a trajetória do ex-presidente da África do Sul. A proposta é incentivar pessoas de todo o mundo a dedicarem 67 minutos do seu dia a uma ação solidária, como forma de reconhecer os 67 anos que Mandela passou lutando por justiça, igualdade e dignidade.

A iniciativa convida cidadãos a realizarem atividades simples, como visitar idosos, doar alimentos, participar de ações sociais, plantar árvores, oferecer apoio a instituições beneficentes ou dedicar parte do tempo para ajudar alguém da comunidade.

A história por trás da homenagem

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na pequena vila de Mvezo, na África do Sul. Advogado por formação, tornou-se uma das principais vozes contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país durante décadas.

Na prática, o apartheid impunha uma rígida separação entre pessoas negras e brancas. A população negra enfrentava restrições para estudar, morar, trabalhar, votar e até circular por determinados espaços públicos.

Por sua atuação política, Mandela foi preso em 1962. Dois anos depois, acabou condenado à prisão perpétua sob acusações de sabotagem e conspiração contra o governo sul-africano.

Ao todo, permaneceu 27 anos preso, grande parte desse período na Ilha de Robben, localizada próximo à Cidade do Cabo. Mesmo encarcerado, tornou-se um símbolo internacional da luta pela liberdade.

Da prisão à Presidência

Em 1990, diante da crescente pressão internacional e das mudanças políticas na África do Sul, Mandela foi libertado.

Quatro anos depois, entrou para a história ao se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul, eleito democraticamente após o fim oficial do apartheid.

Durante seu governo, adotou uma política de reconciliação nacional, defendendo o diálogo entre negros e brancos e evitando que o país mergulhasse em um conflito civil após décadas de divisão racial.

Essa postura transformou Mandela em uma das maiores referências mundiais de liderança, paz e defesa dos direitos humanos.

O que representam os 67 minutos?

Em 2009, a Assembleia Geral da ONU instituiu oficialmente o Dia Internacional de Nelson Mandela.

Em vez de criar apenas uma data comemorativa, a organização lançou um convite: que cada pessoa dedique 67 minutos do dia para ajudar alguém.

O número faz referência aos aproximadamente 67 anos de serviço público e ativismo dedicados por Mandela à construção de uma sociedade mais justa.

Segundo a ONU, a proposta é lembrar que pequenas atitudes individuais podem gerar grandes transformações coletivas, seguindo um dos princípios que marcaram a trajetória do líder sul-africano.

Mais de uma década após sua criação, a campanha continua mobilizando governos, escolas, empresas, organizações sociais e cidadãos em diversos países.

Neste 18 de julho, a homenagem a Nelson Mandela vai além das palavras. Ela convida cada pessoa a transformar memória em atitude e a dedicar parte do próprio tempo à construção de um mundo mais solidário.

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