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Lula e Flávio intensificam presença nas redes e mobilizam apoiadores no segundo turno

Canais com milhões de seguidores mobilizam apoiadores, enquanto André Janones e Nikolas Ferreira ganham protagonismo na estratégia digital dos candidatos

| Autor: Ramilton Silva
Lula e Flávio intensificam presença nas redes e mobilizam apoiadores no segundo turno

Foto: Ricardo Stuckert/Charles Vieira

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República também ganhou força nas redes sociais durante o segundo turno das eleições de 2026. Além das publicações nos perfis oficiais, os candidatos contam com canais de WhatsApp, parlamentares e influenciadores para ampliar o alcance de suas mensagens e mobilizar eleitores na reta final da campanha.

Um dos principais exemplos dessa movimentação é o crescimento dos canais “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio”. Segundo levantamento publicado pelo UOL em 22 de outubro, o primeiro ultrapassou 8 milhões de seguidores, enquanto o segundo reunia mais de 2 milhões de inscritos. Os números foram registrados durante a semana que antecede a votação, marcada para 25 de outubro. 

A dimensão desses canais evidencia como o WhatsApp se tornou um espaço importante para a circulação de conteúdos políticos. Por meio da plataforma, apoiadores recebem mensagens, vídeos e orientações para compartilhar publicações e ampliar a presença dos candidatos no ambiente digital.

O crescimento dessas iniciativas também mostra que a disputa nas redes não se limita aos perfis oficiais de Lula e Flávio. A atuação de pessoas próximas aos candidatos e de apoiadores com grande alcance ajuda a levar as mensagens das campanhas a diferentes públicos.

André Janones e Nikolas Ferreira lideram mobilização

No campo de Lula, um dos principais nomes dessa estratégia é o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal “Exército do Lula”. Criado em abril de 2026, o espaço ganhou força após o primeiro turno, quando o parlamentar passou a convocar os participantes para ações de mobilização digital.

Entre as iniciativas estão orientações para compartilhar conteúdos, divulgar mensagens favoráveis ao presidente e ampliar a circulação de publicações nas redes sociais. Janones afirmou ter tomado a iniciativa de intensificar a mobilização por conta própria, sem esperar uma orientação da equipe oficial da campanha. Posteriormente, o canal foi registrado na Justiça Eleitoral após uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Do lado de Flávio Bolsonaro, a mobilização ocorre por meio da “Tropa do Flávio”, canal criado em 6 de outubro e que tem entre seus administradores o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O espaço é utilizado para divulgar conteúdos favoráveis ao senador, críticas ao PT e mensagens que convocam apoiadores a participar da disputa nas redes.

Outro nome envolvido na divulgação da iniciativa é o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que publicou vídeos convocando apoiadores a ingressar no canal. A mobilização também envolve a divulgação de conteúdos e a organização de respostas às publicações do adversário. 

Campanhas ampliam presença nas redes

Além dos canais de mensagens, as duas candidaturas intensificaram suas estratégias em plataformas como Instagram e outras redes sociais. A campanha de Lula passou a investir em vídeos mais espontâneos, incluindo gravações em formato de selfie, e reuniu jovens influenciadores e políticos eleitos para discutir ações de comunicação digital.

Já aliados de Flávio organizaram iniciativas para responder às publicações do adversário e estimular o compartilhamento de conteúdos favoráveis ao senador. A participação de influenciadores permite que as mensagens cheguem a públicos que nem sempre acompanham os perfis oficiais dos candidatos.

As estratégias foram detalhadas em reportagem do g1 publicada em 9 de outubro, que apontou a atuação de grupos de WhatsApp e de apoiadores na tentativa de ampliar o alcance das campanhas.

O ambiente digital permite que mensagens sejam distribuídas rapidamente e alcancem milhares ou milhões de usuários. Ao mesmo tempo, o número de seguidores ou de compartilhamentos não significa, necessariamente, que o candidato tenha conquistado novos votos. O engajamento demonstra a circulação de um conteúdo, mas não permite medir isoladamente seu efeito sobre a decisão dos eleitores.

Crescimento dos canais provoca debate no TSE

A expansão dos canais de WhatsApp também levou a uma discussão sobre os limites entre a mobilização espontânea de apoiadores e a propaganda vinculada oficialmente às campanhas.

Em 16 de outubro, o TSE aprovou uma resolução que estabelece critérios para identificar quando canais administrados por apoiadores devem ser considerados ligados a uma candidatura. Entre os fatores estão o uso de recursos da campanha, o suporte técnico oferecido pela equipe e a orientação sobre conteúdos ou metas de publicação. 

O tema voltou ao debate nos dias seguintes, especialmente por causa do “Exército do Lula”. Em 23 de outubro, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que não pretendia proibir o canal, mas admitiu que mudanças nas regras de funcionamento poderiam ser necessárias para proteger o processo eleitoral. 

A discussão envolve a transparência da propaganda política e a responsabilidade sobre os conteúdos divulgados. Quando um canal é caracterizado como vinculado oficialmente a uma campanha, ele precisa cumprir as regras eleitorais aplicáveis, incluindo as exigências de comunicação à Justiça Eleitoral.

O impacto da mobilização digital

Com a aproximação do segundo turno, o WhatsApp e as demais redes sociais se consolidaram como espaços importantes para a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os canais administrados por André Janones e Nikolas Ferreira demonstram como aliados podem atuar na divulgação de mensagens e na mobilização de apoiadores em larga escala.

Apesar da diferença no número de seguidores dos dois canais, não é possível concluir que essa vantagem se traduza diretamente em votos. O impacto eleitoral depende de diversos fatores, como o conteúdo das mensagens, o perfil dos usuários alcançados e a capacidade de transformar a interação digital em participação nas urnas.

A disputa também reforça a importância de acompanhar a origem das informações compartilhadas. Em um cenário de intensa circulação de mensagens políticas, a verificação dos conteúdos e o cumprimento das regras eleitorais são fundamentais para garantir que o debate ocorra com transparência.

Na reta final da eleição, a presença digital de Lula e Flávio mostra que a campanha não acontece apenas nos palanques e nos debates televisivos. Ela também se desenvolve nos celulares dos eleitores, onde canais, vídeos e publicações se tornaram instrumentos de mobilização política.

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