NotíciasExclusivasCopa do Brasil escancara virtudes e defeitos de Bahia e Vitória em 2026

Copa do Brasil escancara virtudes e defeitos de Bahia e Vitória em 2026

Esquadrão foi eliminado com duas derrotas para o Remo e Leão da Barra conseguiu virada épica para cima do Flamengo

| Autor: Antonio Marzaro
Everton Ribeiro e Erick

Everton Ribeiro e Erick |Foto: Letícia Martins/EC Bahia; Victor Ferreira/EC Vitória

Os deuses do futebol reservaram uma semana cheia de emoções para os torcedores de Bahia e Vitória na Copa do Brasil. Ambas equipes entraram em campo pelos seus respectivos jogos de volta válidos pela 5ª fase do torneio nacional e tiveram desfechos bem diferentes. No dia 22 de abril, o Essquadrão perdeu por 3 x 1 para o Remo na Arena Fonte Nova e o Rubro-Negro foi superado por 2 x 1 pelo Flamengo no Maracanã.

Na última quarta-feira (13), o Tricolor de Aço precisava quebrar dois tabus para avançar de fase: vencer por três ou mais gols de diferença e reverter a derrota longe de Salvador. Eles até vieram, mas foram anulados pela arbitragem e o Bahia caiu na competição com um revés de 2 x 1 em Belém.

Já na quinta-feira (14), o Leão da Barra contou com o apoio surreal da torcida no Barradão e eliminou um dos favoritos ao título, encerrando uma sequência de 13 anos sem vencer os cariocas dentro de sua casa. Ambos placares não só demonstram o bom e mau momento de cada equipe, mas também explicitam algo que está sendo mostrado desde o início do ano.

Fim de ciclo no Tricolor?

O torcedor do Bahia pode escolher, entre diversos candidatos, os culpados pela eliminação para o Remo na última quarta-feira: Rogério Ceni, Cadu Santoro, jogadores, todos têm sua parcela. Mas parece que a paciência com o treinador se esgotou de vez. Nas últimas partidas, tornou-se corriqueiro o protesto: "Rogério Ceni, o meu Bahia não precisa de você" - entoado nos últimos três jogos na Arena Fonte Nova. 

Desde 2023 no Tricolor, Ceni fez parte da campanha que salvou o Esquadrão do rebaixamento em 2023, classificação para a Libertadores em 2024 e títulos do Baianão e da Copa do Nordeste em 2025. Entretanto, o ano não começou bem, com a eliminação precoce e vexatória na Pré-Libertadores para o modesto O'Higgins-URU.

O título estadual não saciou o apetite de um torcedor que viu seu clube ser vendido para um dos melhores investimentos do mundo com promessas de glórias inimagináveis, mas a eliminação para o Leão Azul foi o estopim para encerrar a paciência. E tudo ainda piorou 24 horas depois, quando o tricolor viu o seu maior rival eliminar a melhor equipe da América Latina esbanjando algo que não é visto nos jogadores do Bahia há tempos: gana.

O Venturismo desfila

Foram cinco finalizações do Vitória contra 26 do Flamengo, sete defesas de Lucas Arcanjo - que foi um dos destaques do Leão - contra duas de Rossi - que falhou no segundo gol baiano. Quando se olha apenas para as estatísticas, se esperava um triunfo "tranquilo" dos cariocas, mas tem uma parte fundamental do futebol que não é contabilizada e foi essencial para a classificação do Colossal.

Foram quase 31 mil torcedores nas arquibancadas do Barradão jogando em sintonia com os atletas no gramado, sem deixar um minuto sequer de cantar e acreditar na virada. Com um apoio desse, ficou fácil para Erick acertar um lindo chute e abrir o placar, assim como o voleio de Luan Cândido que passou entre a defesa flamenguista e o goleiro argentino e parou dentro do gol, ou então as diversas defesas de Arcanjo, que zeraram qualquer chance de classificação dos visitantes.

Na coletiva, o treinador Jair Ventura não deixou de agradecer aos presentes pela linda recepção e festa durante os 90 minutos: "Parabenizar nossa torcida, mais uma linda festa, fogos, atmosfera, uma energia muito boa. Isso entra no vestiário. Fora o trabalho feito diariamente, a dedicação, a entrega dos nossos atletas, que são os responsáveis pela classificação. No vestiário falei com eles sobre energia, são quase oito meses e eu nunca vi um vestiário como hoje."

O jogo pode virar?

No futebol, resultado raramente nasce apenas da qualidade técnica. Enquanto o Bahia vive um momento de desconfiança, cobranças e desgaste interno, o Vitória parece ter encontrado exatamente aquilo que faltou ao rival: identidade. O time de Jair Ventura pode até sofrer mais dentro de campo, mas compensa na entrega, na conexão com a torcida e na capacidade de competir até o último minuto.

Agora, os caminhos parecem seguir direções opostas. No lado tricolor, a pressão aumenta e o debate sobre permanências e mudanças ganha força a cada tropeço. Já no Barradão, o “Venturismo” transforma desconfiança em esperança e faz o torcedor voltar a acreditar que, mesmo diante dos gigantes, o Leão pode voltar a ser protagonista.

Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.

Tags

Notícias Relacionadas