Escola Afro-Brasileira em Salvador reverte fechamento após receber doação e ganha novo destino
Unidade que havia anunciado encerramento teve apoio financeiro e agora terá atividades garantidas com novo projeto social

Frente da Escola Maria Felipa |Foto: Escola Afro-brasileira Maria Felipa
A Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, reconhecida como a primeira instituição de educação afroreferenciada e antirracista registrada pelo Ministério da Educação (MEC), conseguiu reverter o anúncio de encerramento anunciado no início da semana em Salvador e continuará suas atividades na capital baiana após uma doação de cerca de R$ 400 mil feita por um apoiador da causa educativa.
Localizada no bairro do Garcia e fundada em 2018, a Maria Felipa havia informado na última quarta-feira (7) que encerraria suas atividades por não conseguir manter a sustentabilidade financeira como escola privada, mesmo após quase uma década de atuação e mais de R$ 1 milhão investido pelas sócias no projeto.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, as sócias e educadoras Bárbara Carine e Maju Passos agradeceram à mobilização da comunidade escolar e ao ato promovido na quinta-feira (8), no Porto da Barra, que reuniu profissionais, pais de alunos e apoiadores. Na sequência, uma personalidade brasileira entrou em contato oferecendo uma ajuda financeira destinada a cobrir boa parte do déficit da instituição, que ainda precisa arrecadar aproximadamente R$ 200 mil por meio de uma vaquinha online.
Com os recursos garantidos até o momento, a escola está caminhando para continuar operando em Salvador sob o CNPJ do “Instituto Afro-Brasileiro Maria Felipa”, um novo modelo jurídico que vai permitir captar recursos públicos por editais, apoio filantrópico e parcerias — algo que a escola privada não conseguia anteriormente.
Nesse novo formato, a direção anunciou que o retorno das atividades será com metade das crianças como mensalistas e a outra metade com bolsas de estudo, mantendo o compromisso educativo e social da instituição. A mobilização ao redor da escola também reforça o debate sobre a importância de espaços de educação antirracista e comunitária em uma cidade com forte presença da cultura negra, como Salvador.
Antes dessa reviravolta, o encerramento havia gerado forte repercussão pública, com críticas às dificuldades de financiamento de um projeto educativo que valoriza a educação comunitária, antirracista e trilíngue (incluindo português, inglês e Libras) — modelo pedagógico que fez da escola uma referência nacional desde sua criação.
Com a continuidade assegurada por essa ajuda inesperada, a Escola Maria Felipa agora tenta consolidar sua nova fase com maior diversidade de apoio, reforçando a missão de promover educação transformadora e ampliar o acesso a famílias de diferentes perfis socioeconômicos
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