Otto Alencar oferece remédio a Rogério Marinho durante discussão sobre fim da escala 6x1
Presidente da CCJ ironizou o senador do PL após discussão durante análise da proposta, que teve votação temporariamente suspensa por pedido de vista da oposição

Foto: Edilson Rodrigues/Agencia Senado/ Carlos Moura/Agência Senado
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), ofereceu Lexotan ao senador Rogério Marinho (PL-RN) durante a sessão desta quarta-feira (2), em meio a uma discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1. A troca de farpas ocorreu em tom de brincadeira, depois que Marinho pediu uma questão de ordem e elevou o tom durante o debate.
“Eu estou passando para Vossa Excelência. Vossa Excelência está muito nervoso hoje. Eu trouxe até Lexotan, se o senhor quiser. Quer o Lexotan?”, disse Otto. Na sequência, o senador baiano afirmou que também havia levado outros medicamentos. “Se quiser Lexotan, eu lhe dou agora. Eu me preocupei, eu trouxe hoje Lexotan, Adalat sublingual para pressão alta e Isordil para infarto. Está tudo no bolso. Se Vossa Excelência quiser, eu sirvo agora mesmo”, afirmou.
O senador Zequinha Marinho (Podemos-TO) entrou na conversa e acrescentou, também em tom de ironia: “Uma bandinha de Rivotril, não é, presidente?”. Rogério Marinho encerrou a troca dizendo que o cardápio oferecido por Otto era variado, “para muitos gostos”. O Lexotan é um medicamento de uso controlado, à base de bromazepam, indicado para determinadas condições de ansiedade e que pode causar dependência.
O episódio ocorreu durante uma sessão marcada por momentos de tensão entre parlamentares governistas e da oposição. Rogério Marinho acusou o relator da PEC, Omar Aziz (PSD-AM), de adotar uma postura antidemocrática ao não permitir que a proposta defendida pela oposição fosse debatida simultaneamente com o texto em análise na comissão. Para Marinho, a falta de discussão entre as duas alternativas prejudicaria o debate sobre a redução da jornada de trabalho.
Otto Alencar rebateu a crítica e afirmou que não havia descumprido o regimento da Casa. Segundo o presidente da CCJ, a decisão de colocar a proposta em análise no colegiado havia sido tomada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A discussão continuou com pedidos de questão de ordem de Marinho, do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e da senadora Eliziane Gama (PT-MA), levando Otto a acionar a campainha do plenário para tentar conter os ânimos.
A votação da PEC acabou sendo suspensa temporariamente depois que parlamentares da oposição pediram mais tempo para analisar o texto. Otto concedeu uma hora de vista, e a comissão poderá retomar a análise ainda nesta quarta-feira. O relatório apresentado por Omar Aziz manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as 35 emendas apresentadas.
A proposta estabelece a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Após 60 dias da promulgação, a jornada passaria para 42 horas semanais, com dois dias de descanso. Depois de um ano, o limite seria reduzido para 40 horas. O texto também prevê que, preferencialmente, um dos dias de folga seja o domingo, mantendo o limite de oito horas diárias de trabalho.
A discussão ocorre em meio à reação de representantes do setor produtivo baiano. Na segunda-feira (31), presidentes da Fecomércio-BA, Fieb, Faeb e Fetrabase alertaram para possíveis prejuízos a diferentes segmentos da economia caso a PEC seja aprovada sem uma discussão mais ampla com a sociedade. A mobilização faz parte da campanha nacional “Agora Não”, lançada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que defende um debate mais aprofundado sobre os impactos da mudança na jornada de trabalho.
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