Operação Carbono Oculto é a “maior resposta do Brasil ao crime organizado”, diz Lula
A ação policial mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis no Brasil

Presidente Lula usa o boné com a frase "O Brasil é dos brasileiros" |Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na tarde desta quinta-feira (28), por meio do seu perfil no X (antigo Twitter), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descreveu a Operação Carbono Oculto como a "maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado". A ação policial mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis no Brasil.
A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui. Em atuações coordenadas que envolveram Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais, foram deflagradas três operações simultâneas…
— Lula (@LulaOficial) August 28, 2025
"A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui. Em atuações coordenadas que envolveram Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais, foram deflagradas três operações simultâneas nos setores financeiro e de combustíveis, envolvendo 10 estados", escreveu o petista.
A ofensiva aconteceu de forma simultânea em: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Para isso, cerca de 1.400 agentes públicos foram mobilizados para desarticular um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação tributária comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção do país.
Ao todo, foram expedidos 350 mandados de prisão e de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
Pontos centrais da investigação
O PCC teria criado uma estrutura empresarial e financeira paralela, infiltrando-se em toda a cadeia produtiva de combustíveis e no mercado financeiro formal, principalmente via fintechs e fundos de investimento, como afirmou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em entrevista coletiva na manhã desta quinta.
“Há muito tempo, nós estamos acompanhando um fenômeno que é a migração da criminalidade organizada, da ilegalidade para a legalidade”
De acordo com a operação, a facção atua de forma multifacetada com:
- Controle de ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões;
- Financiamento de quatro usinas produtoras de álcool, um terminal portuário e 1.600 caminhões de transporte de combustíveis;
- Aquisição de mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas no interior de São Paulo (avaliadas em R$ 31 milhões) e uma residência em Trancoso (BA) comprada por R$ 13 milhões;
- Importação irregular de metanol, nafta e diesel, usados na adulteração de combustíveis e para fraudes fiscais de R$ 7,6 bilhões;
- Uso de fintechs e maquininhas para movimentar valores sem rastreamento, inclusive em postos de fachada e padarias.