“Mataram meu filho pela terceira vez”, diz pai de Henry Borel após Justiça conceder perdão judicial a Monique
Manifestação ocorreu logo após a leitura da sentença, que extinguiu a punição de Monique pelo crime de homicídio culposo

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Brunno Dantas/TJRJ/Divulgação
A concessão de perdão judicial a Monique Medeiros no caso da morte de Henry Borel gerou forte reação do pai do menino, Leniel Borel, logo após o fim do julgamento encerrado na madrugada desta quinta-feira (4). Em pronunciamento a jornalistas, ele classificou o desfecho como "a terceira morte de Henry" e afirmou que a decisão representa um retrocesso no enfrentamento à violência contra crianças.
Tomado pela emoção, Leniel contestou a decisão da Justiça que livrou a mãe de qualquer punição pelo homicídio culposo e afirmou que o desfecho pode passar um recado preocupante para a sociedade.
"E agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos", declarou. Em seguida, completou: "O que a gente espera de uma mãe? É proteção".
A manifestação ocorreu logo após a leitura da sentença, que extinguiu a punição de Monique pelo crime de homicídio culposo por meio do perdão judicial.
Mais cedo, ao comentar o resultado do julgamento, o pai de Henry já havia afirmado: "Mataram o meu filho pela terceira vez".
A defesa da família afirmou que pretende recorrer da decisão. De acordo com o assistente de acusação, Cristiano Medina, houve uma suposta mudança nos quesitos apresentados aos jurados durante a votação, o que, na avaliação da acusação, pode ter interferido no resultado favorável à mãe da criança.
No julgamento, a acusação contra Monique foi desclassificada de homicídio doloso para homicídio culposo. Ela também foi condenada por omissão em relação às agressões sofridas pelo filho, mas a pena foi considerada já cumprida pela Justiça, o que resultou na aplicação do perdão judicial.
No mesmo processo, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
Henry Borel tinha 4 anos quando morreu, em março de 2021. De acordo com a investigação policial e laudos periciais, o menino sofreu agressões antes de falecer. Na ocasião, ele foi levado ao hospital por Monique e pelo então marido, Jairinho, que afirmaram que a criança teria caído da cama e passado a ter dificuldades para respirar. No entanto, Henry já chegou à unidade de saúde sem vida.
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