Lula viaja a Nova York para Assembleia da ONU com encontro com prefeito e agenda diplomática
Presidente discursa na terça-feira e deve abordar soberania, multilateralismo, crime organizado e reforma do Conselho de Segurança

Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Nova York, nos Estados Unidos, neste domingo (20), para participar da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso da viagem será o discurso na abertura do debate geral, marcado para terça-feira (22), quando o Brasil será novamente o primeiro país a falar, seguido pelos Estados Unidos.
A agenda de Lula na cidade começa nesta segunda-feira (21), quando está previsto um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. A reunião deve ocorrer na residência do representante do Brasil na ONU e foi solicitada pelo próprio prefeito. Também estão previstos outros compromissos diplomáticos durante a passagem do presidente pela cidade.
Segundo informações do governo brasileiro, Lula recebeu pelo menos 30 pedidos de reuniões bilaterais de chefes de Estado, mas deverá atender apenas parte deles. A agenda reduzida do presidente e as dificuldades de logística e segurança durante a Assembleia limitam o número de encontros.
Também existe a possibilidade de um contato entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a programação da ONU. Não há, porém, uma reunião bilateral formal entre os dois confirmada. Trump fará o discurso logo após o presidente brasileiro na abertura do debate geral.
A fala de Lula ainda passa por ajustes e deverá abordar temas tradicionais da política externa brasileira, como defesa do multilateralismo, soberania, democracia, negociações de paz, direito internacional humanitário, meio ambiente e inteligência artificial. O combate ao crime organizado e a necessidade de cooperação entre os países também devem aparecer no pronunciamento.
Entre os assuntos que devem ganhar espaço está a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Lula defende há anos a ampliação do órgão, que atualmente possui cinco membros permanentes com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. O Brasil reivindica uma participação permanente no conselho ao lado de outros países que considera representativos de diferentes regiões.
Outro ponto esperado no discurso é a defesa da soberania brasileira e do respeito ao processo eleitoral. Segundo auxiliares do presidente, Lula deverá abordar possíveis interferências externas nas eleições brasileiras sem citar diretamente países ou líderes. A orientação, de acordo com relatos de interlocutores, é adotar uma linguagem diplomática e evitar um confronto direto com o governo americano.
Na chegada a Nova York, Lula afirmou que pretende representar o Brasil na Assembleia Geral como um país soberano e defensor do diálogo entre as nações. “Somos um país soberano, de economia forte e que cuida da sua população e das suas riquezas. Que respeita todo mundo e exige respeito. E que defende a paz e o diálogo entre as nações”, escreveu o presidente nas redes sociais.
A 81ª Assembleia Geral da ONU tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O debate geral reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro.
Lula deve permanecer em Nova York até terça-feira (22). Após o discurso na abertura da Assembleia, o presidente retorna ao Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá na cidade durante a semana para representar o país em outros compromissos diplomáticos.
A delegação brasileira também deverá participar de reuniões relacionadas ao Conselho de Segurança, incluindo discussões sobre a situação na Palestina, além de encontros sobre direito internacional e outros temas da agenda multilateral.
A Assembleia deste ano também ocorre no contexto da escolha do próximo secretário-geral da ONU, já que o mandato de António Guterres termina em dezembro. O Brasil manifestou apoio à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para o cargo.
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