Delegada Maria Corsato afirma ser alvo de ataques após falas de Solange Bezerra nas redes sociais
Em seu relato, a delegada mistura explicações sobre a origem dos ataques com uma série de críticas à forma como seu trabalho vem sendo questionado

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A delegada Maria Corsato afirmou ter voltado a ser alvo de ataques nas redes sociais após a repercussão de declarações feitas sobre o caso envolvendo Deolane Bezerra. Segundo ela, as críticas teriam se intensificado depois de publicações atribuídas a Solange Bezerra, o que, na avaliação da policial, acabou incentivando novos ataques de seguidores.
De acordo com Corsato, a exposição e os ataques virtuais a levaram, em determinado momento, a criar um novo perfil nas redes sociais após receber ameaças. Ela também afirma que não pretende recuar diante das críticas e sustenta que sua atuação profissional não será afetada pela pressão externa.
Em seu relato, a delegada mistura explicações sobre a origem dos ataques com uma série de críticas à forma como seu trabalho vem sendo questionado. Ela diz enxergar uma tentativa de descredibilização institucional e afirma já ter enfrentado situações semelhantes ao longo da carreira.
Na sequência, Maria Corsato detalha essas acusações em fala direta, na qual cita episódios anteriores e rebate os comentários direcionados a ela:
"Solange Bezerra, a mãe da Deolane, fez comentários em publicações e portais de notícia. Ela colocou o seguinte, falou a delegada que quer ser influencer ou almeja um cargo político e dos seus processos na corrededoria."
A delegada segue sua fala questionando a conduta de críticos e defendendo sua atuação:
"A senhora não fala, né? O segundo comentário. Agora me falem, gostando ou não da Deolane, se isso é postura de uma delegada de polícia, disseminando ódio contra uma pessoa que está presa."
Em outro trecho, Corsato afirma que há, segundo sua visão, tentativas de uso de estruturas institucionais para pressionar investigações:
"Agora perguntem a ela quantos processos ela responde na corrededoria pela conduta dela nos casos em que atua. É o seguinte, quando a gente mexe com gente poderosa, a gente está sujeito a tomar uma pancada."
Ela ainda sustenta que haveria um padrão de inversão de papéis em situações de conflito envolvendo investigações:
"Eles usam sim, na corregedoria, como manejo para intimidar quem investiga e inverter papéis. O bandido passa de mocinho e o mocinho vira bandido da história. Eu conheço esse roteiro. Eu conheço desde 2014."
Ao tratar de sua trajetória, a delegada menciona números de processos administrativos e diz já ter sido alvo de reclamações:
"Solange, eu tenho 26 anotações na corregedoria, então em 25 anos como delegada, 26 pessoas reclamaram de mim, porque eu não fiz o que elas queriam, eu fiz o que ela mandava, e em alguns momentos elas ficavam tão revoltadas que elas iam até a corrigir, faziam falsas denúncias como sua filha fez."
Ela também relata ter sido punida apenas uma vez, há mais de duas décadas:
"Eu fui punida uma vez, faz mais de 20 anos, sabe por que? Porque eu não apertei a mão de uma pessoa influente, porque ele se sentiu muito ofendido, reclamando corregedoria, eu fui punida, com uma advertência, porque não apertei a mão de uma pessoa."
Em outro momento, Corsato desafia os críticos a verificarem sua situação funcional:
"Quer ver? Quer saber se é verdade ou se é mentira? Manda o seu advogado me procurar, que eu vou passar uma procuração para ele, para ele levantar a cópia de todos os meus processos na corregedoria, mas depois você vai publicar isso tudo, tá certo? Você vai publicar tudo na sua rede social. Manda vir, que eu dou a procuração para ele. Eu não tenho nada para esconder."
A delegada também amplia suas críticas para investigações e denúncias envolvendo políticos e processos de corrupção:
"Inclusive, vocês estão colocando por aí um outro. Levantando pergunta pros políticos envolvidos naqueles dois processos de organização criminosa e corrupção que tramitam em Santo André, vocês estão de acordo com vocês levantarem essa lebre."
Na sequência, ela faz acusações sobre corrupção e contextualiza sua versão sobre um acidente pessoal e investigações que teria conduzido:
"Porque eu provo que ali aonde aconteceu aquele acidente é uma lavanderia. Ou seja, ali lava-se dinheiro. Aquilo aí tá envolvido num contexto de corrupção tão grande que adivinha que o partido que envolve é o PT, o PT de Santo André."
Por fim, ela afirma ter atuado como cidadã em investigações paralelas e diz ter encaminhado material ao Ministério Público:
"Eu me acidentei dentro de uma empresa envolvida com isso. Eu me afastei dois anos da polícia, investiguei todo mundo. Tudo aquilo que eu apurei como cidadão eu entreguei pro público de São Paulo. Isso resultou em dois processos de corrupção. Pega a cópia lá no MP. Tá bom? Pega lá."
O caso citado na reportagem também envolve a investigação contra Deolane Bezerra, que foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a apuração, ela teria recebido valores oriundos da empresa Lado a Lado Transportes, apontada pela polícia como estrutura usada pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) para movimentação e ocultação de patrimônio.
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