“Mentiroso”: vereadores batem boca na Câmara de Salvador durante debate sobre investigação dos ônibus
Sidninho e Randerson Leal bateram boca na Câmara Municipal ao debater investigação sobre a retenção de veículos durante o segundo turno das eleições

Foto: Redes Sociais
Os vereadores Sidninho (PP), da base do prefeito Bruno Reis (União Brasil), e Randerson Leal (Podemos), líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), protagonizaram um bate-boca durante a sessão desta terça-feira (3). O desentendimento ocorreu durante uma discussão sobre a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a retenção de ônibus do transporte público da capital baiana durante o segundo turno das eleições de 2026.
A discussão começou após Sidninho questionar a declaração de Randerson sobre a solicitação de abertura da comissão. O vereador da base governista chamou o líder da oposição de “mentiroso” e afirmou que o pedido ainda não havia sido protocolado na Câmara.
Segundo Sidninho, são necessárias 14 assinaturas para formalizar uma CEI. Ele também reclamou de ataques nas redes sociais e afirmou que tem sido alvo de críticas de grupos organizados que, segundo ele, atuam contra seu mandato e a gestão municipal.
“Uma pequena parte da população esqueceu que a eleição acabou. Eu quero saber quem é o mentiroso da eleição que sinalizou que protocolou uma CEI. Para uma CEI ser protocolada, [são necessárias] 14 assinaturas. Mentira que foi protocolada! Mentira que tem assinaturas!”, declarou.
O vereador ainda afirmou que precisou bloquear seu perfil no Instagram devido ao volume de críticas recebidas e acusou a militância ligada à oposição de utilizar perfis automatizados para atacá-lo.
“Esse vereador mentiroso, nos últimos dez dias tive que bloquear meu Instagram, que tem esquema pesado, militância pesada e robótica confirmando no mentiroso do Randerson Leal. Vossa Excelência tem que entender de que lado vai jogar, amigo”, disse.
Randerson rebateu as acusações e pediu respeito durante os debates no Legislativo. O líder da oposição classificou Sidninho como “raivoso” e afirmou que divergências políticas não justificam ataques pessoais.
“Acho que o colega está muito raivoso. E tem que ter respeito, independentemente de sua posição partidária. A gente debate no campo político. Se Vossa Excelência não tem altura para debater politicamente, então não venha aqui atingir qualquer vereador”, respondeu.
O oposicionista também afirmou que a população de Salvador espera esclarecimentos sobre a operação do transporte público durante o segundo turno e defendeu a investigação do caso.
“Se Vossa Excelência quer saber quem assinou, vai procurar a liderança da Casa. Não sou presidente. Não tem um vereador sequer que pode falar que sou mentiroso. O povo de Salvador quer isso, não quer picuinha”, afirmou.
Sidninho voltou a questionar a atuação do colega e disse que espera ver as assinaturas necessárias para a abertura da comissão. “Parece debate na campanha. Um fala uma coisa coerente e o outro não responde com nada. No momento oportuno, quero ver as assinaturas, porque Vossa Excelência é mentiroso”, declarou.
Entenda o caso
Randerson Leal anunciou, no dia 26 de outubro, que solicitaria a abertura de uma CEI para investigar a retenção de ônibus em garagens de Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no dia 25. Segundo informações divulgadas pelo vereador, pelo menos 75 veículos teriam deixado de circular na capital baiana.
A denúncia também foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores à Justiça Eleitoral. O caso ganhou repercussão após imagens mostrarem pessoas aplicando adesivos partidários em ônibus dentro de garagens de empresas de transporte.
No domingo da votação, uma fiscalização do Procon-BA identificou 544 ônibus parados em cinco garagens da capital. Diante das denúncias, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento integral da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis, além da gratuidade no transporte para os eleitores.
O tribunal também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em viagem a Paris, na França. A proposta de investigação apresentada por Randerson prevê ainda apurar as circunstâncias da viagem do titular da pasta.
O prefeito Bruno Reis atribuiu os atrasos na saída dos veículos a problemas operacionais nas garagens e a mobilizações políticas. Já o Sindicato dos Rodoviários de Salvador divulgou uma nota para rebater acusações de envolvimento da entidade na retenção dos ônibus.
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